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Entrevista: Raman Bedi, novo presidente da WFPHA, fala com a Abrasco sobre Saúde Global, defesa dos sistemas universais de saúde e desigualdades

Daniel Lyra-Queiroz

[PT]

Professor emérito do King’s College London, o pesquisador Raman Bedi é o novo presidente da Federação Mundial de Associações de Saúde Pública – The World Federation of Public Health Associations (WFPHA). Até 2028, Bedi estará no posto e assume após a gestão de Emma Rawson-Te Patu, primeira mulher indígena a ocupar esta posição. Em entrevista à Abrasco, concedida em outubro deste ano, destacou a importância de fortalecer a cooperação internacional entre as associações de saúde pública, transformar o conhecimento científico em políticas públicas e compreender a saúde pública não apenas como uma disciplina técnica, mas também como um movimento social.

Raman Bedi é um renomado pesquisador do campo da Saúde Bucal, com contribuições significativas para a compreensão dos impactos das condições de saúde bucal na qualidade de vida das populações e de sua relação com as iniquidades em saúde. Além do King’s College London, o professor também tem passagens pela University of the Western Cape, na África do Sul, e University of Pennsylvania, nos Estados Unidos da América (EUA), além de ter atuado como consultor da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Bedi também ocupou posições estratégicas de liderança ao longo de sua carreira. De 2001 a 2004, presidiu o Grupo de Pesquisa em Educação da Associação Internacional de Pesquisa Odontológica – International Association for Dental Research (IADR). Em 2002, presidiu a Sociedade Britânica de Deficiência e Saúde Bucal – British Society for Disability and Oral Health (BSSCD); e ainda foi o diretor nacional de Saúde Bucal da Inglaterra (Chief Dental Officer for England) de 2002 a 2005. Na WFPHA, Bedi fundou e coordenou o Grupo de Trabalho sobre Saúde Bucal. 

A entrevista está disponível em inglês [EN] e português [PT] (tradução livre). 

Confira! 


Abrasco: o senhor é um pesquisador com contribuições significativas para a saúde pública, com estudos que abordam, por exemplo, os impactos da saúde bucal na qualidade de vida das pessoas e a ansiedade odontológica. Como as pesquisas em saúde podem contribuir para a redução das desigualdades e do sofrimento que elas provocam?

Raman Bedi – A pesquisa é uma das ferramentas mais poderosas que temos para combater as desigualdades, pois torna visível aquilo que, de outra forma, permaneceria oculto. Quando começamos a avaliar a ansiedade odontológica em crianças em idade escolar na Escócia, ou quando desenvolvemos o instrumento OHQoL-UK, para avaliar a qualidade de vida relacionada à saúde bucal, o objetivo era simples: compreender o que a doença realmente significa na vida das pessoas — a dor, as noites mal dormidas, as faltas à escola, o constrangimento ao sorrir. Aquilo que não é medido raramente é administrado, e o sofrimento que não é contabilizado pode ser facilmente ignorado por aqueles que decidem sobre a distribuição de recursos.

As doenças bucais são um bom exemplo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 3,5 bilhões de pessoas convivem com doenças bucais, o que as torna as condições crônicas não transmissíveis mais comuns no mundo. Ainda assim, elas permanecem amplamente negligenciadas nas políticas de saúde. Grande parte da minha trajetória profissional no campo da saúde bucal transcultural tem se dedicado a demonstrar que essa carga de doenças recai de maneira mais intensa sobre as populações mais pobres, as comunidades de minorias étnicas e as pessoas com deficiência — e que essas doenças compartilham os mesmos determinantes sociais e comerciais de outras doenças crônicas não transmissíveis, como o açúcar, o tabaco, o álcool e a pobreza.

Mas descrever as desigualdades já não é suficiente. Temos décadas de evidências que mostram quem é afetado. O desafio agora é desenvolver pesquisas que testem soluções, que sejam concebidas com as comunidades, e não apenas sobre elas, e cujos resultados sejam traduzidos em políticas públicas. Os pesquisadores precisam se reconhecer não apenas como produtores de conhecimento, mas também como defensores de sua utilização.

Abrasco: além de professor e pesquisador, o senhor ocupou o cargo de diretor nacional de Saúde Bucal da Inglaterra (Chief Dental Officer for England) entre 2002 e 2005, liderando equipes e estratégias de saúde bucal no âmbito do Serviço Nacional de Saúde (National Health Service – NHS). Como sua experiência como gestor de saúde pública pode contribuir para a liderança de uma organização importante como a WFPHA?

RB – Minha experiência como diretor nacional de Saúde Bucal da Inglaterra me ensinou três coisas que levo comigo para a WFPHA.

Primeiro, as evidências, por si só, não transformam as políticas públicas. É necessário construir alianças — entre profissionais, pacientes, servidores públicos e políticos — e compreender as pressões enfrentadas por cada um desses grupos. Segundo, a liderança em saúde pública está muito mais relacionada à capacidade de ouvir e reunir pessoas do que à de dar instruções. No governo, trabalhamos com muitos interesses diferentes e raramente temos o poder de simplesmente tomar decisões. Terceiro, as reformas exigem paciência: as mudanças mais importantes em um sistema de saúde costumam ser medidas em décadas, e não em ciclos eleitorais.

Essas lições são diretamente relevantes para a WFPHA. Somos uma federação de associações nacionais de saúde pública, cada uma atuando em contextos políticos e econômicos muito diferentes. Meu papel não é dizer aos membros o que devem fazer, mas reuni-los, ampliar suas vozes no âmbito global — junto à OMS, ao sistema das Nações Unidas e a outros parceiros — e garantir que a Federação seja forte, financeiramente sustentável e verdadeiramente útil para seus membros. Também sou o primeiro dentista a ocupar esse cargo e espero que isso sirva para lembrar que a saúde bucal faz parte da saúde geral e deve integrar a agenda da saúde pública.

Abrasco: o NHS é um sistema de saúde que inspirou a organização dos serviços de saúde em diversos países, incluindo o Brasil, que possui seu próprio sistema público universal, o Sistema Único de Saúde (SUS). Considerando as diferenças entre os dois países, como as experiências britânica e brasileira podem contribuir para a garantia do direito à saúde?

RB – O NHS e o SUS nasceram em momentos históricos muito diferentes, mas compartilham a mesma convicção fundamental: a saúde é um direito, não uma mercadoria, e o Estado tem o dever de garanti-la. O NHS foi criado em 1948, a partir do espírito de solidariedade do período pós-guerra. O SUS surgiu com o retorno do Brasil à democracia e foi incorporado à Constituição de 1988 — uma conquista na qual o movimento da Reforma Sanitária e a própria Abrasco desempenharam um papel central.

Cada sistema tem algo a ensinar ao outro. O Brasil mostrou ao mundo como pode ser a participação social na saúde, por meio dos conselhos de saúde e das conferências nacionais de saúde, que garantem aos cidadãos uma voz efetiva. A Estratégia Saúde da Família, com seus agentes comunitários de saúde, é admirada internacionalmente e, como dentista, sempre me impressionou o Brasil Sorridente, que incorporou a saúde bucal à atenção primária em escala nacional. Essas são experiências com as quais o Reino Unido e muitos outros países poderiam aprender.

A experiência britânica, por sua vez, oferece lições sobre planejamento nacional de longo prazo, desenvolvimento da força de trabalho e utilização de organismos independentes de produção e avaliação de evidências para orientar o financiamento de serviços e procedimentos em um sistema universal.

Talvez a lição compartilhada mais importante seja a de que os sistemas universais de saúde são conquistas políticas. Eles enfrentam pressões constantes — subfinanciamento, escassez de profissionais, envelhecimento populacional e pressões pela mercantilização. Precisam ser defendidos e renovados por todas as gerações. As associações de saúde pública têm um papel fundamental nessa defesa.

Abrasco: entre suas propostas para a WFPHA estão o fortalecimento da Federação, a promoção de congressos e a construção de uma aliança global em defesa da saúde pública. Como a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) pode contribuir para os esforços da WFPHA nesse processo?

RB – A Abrasco é uma das associações de saúde pública mais respeitadas do mundo, e sua contribuição para a WFPHA pode ser significativa.

Primeiro, a Abrasco traz a tradição da Saúde Coletiva, que compreende a saúde a partir de seus determinantes sociais, políticos e econômicos e articula a epidemiologia, as ciências sociais e as políticas públicas. Essa perspectiva é exatamente o que a saúde pública global precisa neste momento. Segundo, a Abrasco possui uma ampla experiência na defesa de um sistema universal de saúde por meio da participação democrática, e essa experiência é valiosa para associações de países que ainda estão construindo seus próprios sistemas.

Em termos práticos, receberia com grande satisfação a participação ativa da Abrasco em nossos grupos de trabalho, na Aliança Global de Saúde Pública (Global Public Health Alliance) e em nossa nova revista científica, Alliance — como autores, pareceristas e editores. A Abrasco também está muito bem posicionada para liderar a cooperação Sul-Sul, tanto na América Latina quanto com os países africanos de língua portuguesa. E espero ver uma forte presença brasileira em nossa Assembleia Geral, em Genebra, em maio de 2027, durante a semana da Assembleia Mundial da Saúde, e no 19º Congresso Mundial de Saúde Pública, em Auckland, em 2028.

Abrasco: uma de suas propostas é a criação de uma revista científica de Acesso Aberto, com condições especiais para pesquisadores do Sul Global. Como a WFPHA pode contribuir para reduzir as desigualdades na produção e na disseminação do conhecimento científico, especialmente entre os países do Norte e do Sul Global?

RB – Existe um profundo desequilíbrio na ciência global. Grande parte da carga de doenças do mundo está concentrada no Sul Global, mas a maioria das revistas científicas, dos editores, dos pareceristas e dos recursos de financiamento está no Norte Global. Com muita frequência, pesquisadores de países de baixa e média renda são tratados como fontes de dados, e não como produtores de conhecimento. As taxas de publicação podem representar, por si só, uma barreira, e trabalhos importantes publicados em português, espanhol ou francês frequentemente são negligenciados internacionalmente.

É por isso que lançamos a Alliance, revista científica de acesso aberto da WFPHA, em parceria com a Sage. Nosso objetivo é que ela seja genuinamente aberta — gratuita para leitura e com condições de publicação tão acessíveis quanto possível para pesquisadores do Sul Global —, com um conselho editorial e um corpo de pareceristas que reflitam a diversidade do mundo, além de oferecer apoio a pesquisadores em início de carreira que estejam publicando pela primeira vez.

Mas uma revista científica é apenas parte da solução. A WFPHA também pode contribuir por meio da construção de parcerias de pesquisa equitativas, nas quais a liderança e a autoria sejam compartilhadas de maneira justa; da valorização dos conhecimentos provenientes da prática e das comunidades; e do uso de nossa capacidade de articulação para garantir que as evidências produzidas no Sul Global cheguem aos debates internacionais sobre políticas públicas. O conhecimento produzido no Sul não é um conhecimento apenas para o Sul — é um conhecimento para o mundo.

Abrasco: o mundo enfrenta desafios múltiplos e interconectados, incluindo conflitos armados, como a crise humanitária em curso em Gaza, os impactos crescentes da emergência climática sobre a saúde pública, o risco de novas epidemias e a persistência das iniquidades em saúde. Nesse contexto, qual deve ser o papel das associações de saúde pública no enfrentamento desses desafios e na promoção da saúde como um direito humano fundamental?

RB – As associações de saúde pública têm uma responsabilidade particular em momentos como este. Somos a voz independente dos profissionais de saúde pública. Não somos governos nem representamos interesses comerciais, por isso podemos nos manifestar com base nas evidências e nas consequências humanas quando outros permanecem em silêncio.

Nos conflitos armados — em Gaza, no Sudão, na Ucrânia e em outros lugares —, nosso primeiro dever é com a população civil. O direito internacional humanitário deve ser respeitado: profissionais de saúde, hospitais e ambulâncias precisam ser protegidos, e o acesso humanitário a alimentos, água, medicamentos e cuidados de saúde deve ser garantido. Quando esses princípios são violados, as associações de saúde pública devem se manifestar claramente e documentar os impactos sobre a saúde.

Em relação ao clima, precisamos demonstrar a importância da ação climática para a saúde. A crise climática é uma crise de saúde, e é por isso que a WFPHA defende a abordagem de Saúde Única (One Health) — o reconhecimento de que a saúde humana, animal e ambiental são indissociáveis. Por meio da iniciativa One Health 100 Cities, estamos trabalhando com parceiros para construir mecanismos práticos de governança em Saúde Única no âmbito das cidades, onde as mudanças podem efetivamente acontecer.

Quanto às epidemias, a adoção do Acordo sobre Pandemias da OMS, em 2025, representou um passo importante, mas a preparação para futuras emergências depende de sistemas nacionais de saúde pública fortes e equitativos — e também de confiança.

Na base de todos esses desafios estão as iniquidades. Seja diante da guerra, das mudanças climáticas ou das infecções, são sempre as populações mais pobres e marginalizadas que mais sofrem. Nosso papel é manter a saúde como um direito humano no centro das respostas.

Abrasco: em sua declaração ao assumir a presidência da WFPHA, o senhor destacou os tempos turbulentos que estamos vivendo. Olhando para o futuro, quais mudanças gostaria de ver na saúde pública global e qual legado espera deixar ao final de sua gestão?

RB – Estamos vivendo tempos turbulentos para a saúde global — conflitos, crescimento do nacionalismo, cortes na assistência ao desenvolvimento e desafios às instituições multilaterais, incluindo a OMS. Nesse contexto, é mais importante do que nunca que a sociedade civil e a comunidade da saúde pública permaneçam unidas.

A mudança que eu mais gostaria de ver é que a saúde pública voltasse a ser compreendida como um movimento social, e não apenas como uma disciplina técnica. Isso significa trabalhar com comunidades, escolas, grupos religiosos, governos locais e o setor privado, e não apenas dentro do setor saúde. Também significa reconhecer que os grandes desafios de saúde do nosso tempo — as doenças crônicas não transmissíveis, incluindo as doenças bucais, as mudanças climáticas e as pandemias — estão interligados e exigem respostas integradas.

Quanto ao legado, espero deixar uma Federação mais forte e financeiramente sustentável, com mais associações filiadas, especialmente do Sul Global, e com cada uma delas mais capacitada para influenciar as políticas públicas em seus próprios países. Gostaria que a Alliance estivesse firmemente consolidada como uma revista científica de acesso aberto respeitada, que a Aliança Global de Saúde Pública se tornasse uma plataforma efetiva de ação conjunta e que a Saúde Única estivesse incorporada à maneira como pensamos a saúde pública. Acima de tudo, espero que as pessoas digam que, durante esses anos, a WFPHA foi uma voz que se fez ouvir — e que falou em nome daqueles que, na maioria das vezes, não são ouvidos.


[EN]

Emeritus Professor at King’s College London, researcher Raman Bedi is the new president of the World Federation of Public Health Associations (WFPHA). Bedi will serve as president until 2028, succeeding Emma Rawson-Te Patu, the first Indigenous woman to hold the position. In an interview with Abrasco in October this year, he highlighted the importance of strengthening international cooperation among public health associations, translating scientific knowledge into public policies, and understanding public health not merely as a technical discipline, but also as a social movement.

Raman Bedi is a renowned researcher in the field of oral health, with significant contributions to understanding the impact of oral health conditions on populations’ quality of life and their relationship with health inequities. In addition to King’s College London, he has held academic positions at the University of the Western Cape in South Africa and the University of Pennsylvania in the United States. He has also served as a consultant to the World Health Organization (WHO).

Throughout his career, Bedi has also held several strategic leadership positions. From 2001 to 2004, he chaired the Education Research Group of the International Association for Dental Research (IADR). In 2002, he served as president of the British Society for Disability and Oral Health (BSSCD) and was also Chief Dental Officer for England from 2002 to 2005. Within the WFPHA, Bedi founded and chaired the Oral Health Working Group.

Read the full interview below!


Abrasco: You are a researcher who has made significant contributions to public health, with studies addressing, for example, the impact of oral health on people’s quality of life and dental anxiety. How can health research help reduce inequalities and the suffering they cause?

Raman Bedi: Research is one of the most powerful tools we have against inequality, because it makes visible what would otherwise stay hidden. When we began measuring dental anxiety in Scottish schoolchildren, or developed the OHQoL-UK measure of oral health-related quality of life, the aim was simple: to capture what disease actually means in people’s lives – the pain, the lost sleep, the missed school, the embarrassment of smiling. What is not measured is rarely managed, and suffering that is not counted is easily ignored by those who allocate resources.

Oral disease is a good example. According to WHO, around 3.5 billion people live with oral diseases, making them the most common noncommunicable conditions in the world, yet they remain largely neglected in health policy. Much of my career in transcultural oral health has been about showing that this burden falls hardest on the poorest, on minority ethnic communities and on people with disabilities – and that it shares the same social and commercial determinants as other NCDs: sugar, tobacco, alcohol, poverty.

But describing inequality is no longer enough. We have decades of evidence telling us who is affected. The task now is research that tests solutions, that is designed with communities rather than about them, and that is translated into policy. Researchers must see themselves not only as producers of knowledge but as advocates for its use.

Abrasco: In addition to being a professor and researcher, you served as Chief Dental Officer for England from 2002 to 2005, leading teams and oral health strategies within the National Health Service (NHS). How can your experience as a public health leader help you lead an important organization such as the WFPHA?

RB – Being Chief Dental Officer for England taught me three things that I carry into the WFPHA.

First, evidence alone does not change policy. You need coalitions – of professionals, patients, civil servants and politicians – and you need to understand the pressures each of them faces. Second, leadership in public health is mostly about listening and convening rather than instructing. In government you work across many interests; you rarely have the power simply to decide. Third, reform takes patience: the most important changes in a health system are often measured in decades, not in electoral cycles.

These lessons are directly relevant to the WFPHA. We are a federation of national public health associations, each working in very different political and economic contexts. My role is not to tell members what to do, but to bring them together, amplify their voices at the global level – with WHO, the UN system and other partners – and make sure that the Federation is strong, financially sustainable and genuinely useful to its members. I am also the first dentist to hold this office, and I hope that brings a reminder that oral health is part of general health and must be part of the public health agenda.

Abrasco: The NHS is a healthcare system that has inspired the organization of healthcare services in several countries, including Brazil, which has its own universal public health system, the Sistema Único de Saúde (SUS). Considering the differences between the two countries, how can the British and Brazilian experiences contribute to ensuring the right to health?

RB – The NHS and the SUS were born in very different moments, but they share the same fundamental conviction: health is a right, not a commodity, and the State has a duty to guarantee it. The NHS was created in 1948 out of the solidarity of the post-war period. The SUS emerged from Brazil’s return to democracy and was written into the 1988 Constitution – an achievement in which the sanitary reform movement, and Abrasco itself, played a central role.

Each system has something to teach the other. Brazil has shown the world what social participation in health can look like, through health councils and national health conferences that give citizens a real voice. The Family Health Strategy, with its community health workers, is internationally admired, and as a dentist I have always been impressed by Brasil Sorridente, which brought oral health into primary care at national scale. These are lessons that Britain and many other countries could learn from.

The British experience, in turn, offers lessons on long-term national planning, workforce development and the use of independent evidence bodies to guide what a universal system funds.

Perhaps the most important shared lesson is that universal health systems are political achievements. They face constant pressure – underfunding, workforce shortages, ageing populations, and pressure towards commercialisation. They have to be defended, and renewed, by every generation. Public health associations have a vital role in making that case.

Abrasco: Your proposals for the WFPHA include strengthening the Federation, promoting conferences, and building a global alliance in defense of public health. How can the Brazilian Association of Collective Health (Abrasco) contribute to the WFPHA’s efforts in this process?

RB – Abrasco is one of the most respected public health associations in the world, and its contribution to the WFPHA can be significant.

First, Abrasco brings the tradition of saúde coletiva – collective health – which understands health through its social, political and economic determinants, and which unites epidemiology, the social sciences and policy. That perspective is exactly what global public health needs at this moment. Second, Abrasco has deep experience of defending a universal health system through democratic participation, and that experience is valuable to associations in countries that are still building one.

In practical terms, I would warmly welcome Abrasco’s active involvement in our working groups, in the Global Public Health Alliance, and in our new journal, Alliance – as authors, reviewers and editors. Abrasco is also very well placed to lead South–South cooperation, both across Latin America and with Portuguese-speaking countries in Africa. And I hope to see a strong Brazilian presence at our General Assembly in Geneva in May 2027, during World Health Assembly week, and at the 19th World Congress on Public Health in Auckland in 2028.

Abrasco: One of your proposals is to establish an Open-Access scientific journal, with special provisions for researchers from the Global South. How can the WFPHA help reduce inequalities in the production and dissemination of scientific knowledge, particularly between countries in the Global North and Global South?

RB – There is a deep imbalance in global science. Much of the world’s disease burden is in the Global South, but most of the journals, editors, reviewers and funding are in the North. Too often, researchers from low- and middle-income countries are treated as sources of data rather than as authors of knowledge. Publication fees can be a barrier in themselves, and important work published in Portuguese, Spanish or French is often overlooked internationally.

That is why we have launched Alliance, the WFPHA’s open-access journal, with Sage. Our aim is that it should be genuinely open – free to read and as accessible as possible to publish in for researchers from the Global South – with an editorial board and reviewer pool that reflect the whole world, and support for early-career researchers who are publishing for the first time.

But a journal is only part of the answer. The WFPHA can also help by building research partnerships that are equitable, where leadership and authorship are shared fairly; by valuing knowledge that comes from practice and from communities; and by using our convening role to make sure evidence from the South reaches global policy discussions. Knowledge produced in the South is not knowledge for the South alone – it is knowledge for the world.

Abrasco: The world is facing multiple and interconnected challenges, including armed conflicts, such as the ongoing humanitarian crisis in Gaza, the growing impacts of the climate emergency on public health, the risk of new epidemics, and persistent health inequities. In this context, what role should public health associations play in addressing these challenges and promoting health as a fundamental human right?

RB – Public health associations have a particular responsibility in times like these. We are the independent voice of the public health profession. We are not governments, and we are not commercial interests, so we can speak about evidence and about human consequences when others may be silent.

In armed conflicts – in Gaza, in Sudan, in Ukraine and elsewhere – our first duty is to the civilian population. International humanitarian law must be respected: health workers, hospitals and ambulances must be protected, and humanitarian access to food, water, medicines and care must be guaranteed. When these principles are violated, public health associations must say so clearly and document the impact on health.

On climate, we must make the health case for action. The climate crisis is a health crisis, and this is why the WFPHA is championing One Health – the recognition that human, animal and environmental health are inseparable. Through the One Health 100 Cities initiative we are working with partners to build practical One Health governance at city level, where change can actually happen.

On epidemics, the adoption of the WHO Pandemic Agreement in 2025 was an important step, but preparedness depends on strong, equitable national public health systems – and on trust.

Underlying all of these is inequity. Whether the threat is war, climate or infection, it is always the poorest and most marginalised who suffer most. Our role is to keep health as a human right at the centre of the response.

Abrasco: In your statement upon assuming the presidency of the WFPHA, you highlighted the turbulent times we are living through. Looking ahead, what changes would you like to see in global public health, and what legacy do you hope to leave at the end of your presidency?

RB – We are living through turbulent times for global health – conflict, rising nationalism, cuts to development assistance, and challenges to multilateral institutions, including WHO. In this context, it is more important than ever that civil society and the public health community stand together.

The change I would most like to see is for public health to be understood again as a social movement, not only as a technical discipline. That means working with communities, schools, faith groups, local government and the private sector, and not just within the health sector. It also means recognising that the major health challenges of our time – noncommunicable diseases, including oral diseases, climate change and pandemics – are connected and require integrated responses.

As for legacy, I hope to leave a stronger and more financially sustainable Federation, with more member associations, particularly from the Global South, and with each of them more able to influence policy in their own countries. I would like Alliance to be firmly established as a respected open-access journal, the Global Public Health Alliance to be a working platform for joint action, and One Health to be embedded in the way we think about public health. Above all, I hope people will say that during these years the WFPHA was a voice that was heard – and that it spoke for those who are most often unheard.

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