
A Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO) manifesta sua solidariedade ao povo venezuelano, cujo país teve sua soberania violada por uma invasão militar realizada pelos Estados Unidos da América, em 4 de janeiro de 2025, ocasião em que o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram sequestrados e colocados em cativeiro na cidade de Nova York. Trata-se de um precedente absolutamente inaceitável no âmbito da comunidade das nações sul-americanas. O país agressor não dispõe de qualquer mandato ou respaldo legal internacional para perpetrar tal ataque, especialmente quando este vem acompanhado de ameaças dirigidas a outros países e regiões da América do Sul e da Europa.
Essa agressão fundamenta-se na doutrina segundo a qual a força econômica, política, cultural e militar dos Estados Unidos lhes conferiria o direito de definir unilateralmente as ações que considerem pertinentes para assegurar seus interesses, onde e da forma que julgarem adequadas. Trata-se de uma concepção que faz retroceder a governança global a práticas típicas das nações mais fortes no século XIX.
Os desafios globais contemporâneos — climáticos, sanitários, econômicos e sociais — exigem solidariedade, cooperação e soluções multilaterais, e não intervenções militares justificadas por mentiras e pela ambição de se apropriar dos recursos naturais de outros países.
A ABRASCO alerta para os riscos sanitários iminentes para a América do Sul em caso de agravamento do conflito interno na Venezuela, perpetrado ou apoiado por forças norte-americanas, incluindo: destruição da infraestrutura e dos serviços de saúde; migração não voluntária de milhões de pessoas, entre elas profissionais de saúde; desabastecimento de alimentos e insumos essenciais; colapso dos programas de prevenção e atenção à saúde; e aumento expressivo da violência contra a população.
A ABRASCO se soma às pessoas, entidades e governos que têm se manifestado contra essas ações ilegais, imorais e profundamente desestabilizadoras da governança global. Reafirmamos nossa disposição de colaborar com a Sociedade Venezuelana de Saúde Pública, a Associação Latino-Americana de Medicina Social e Saúde Coletiva, a Aliança de Saúde Pública das Américas e a Federação Mundial de Associações de Saúde Pública, em apoio ao povo venezuelano e aos colegas da saúde coletiva da Venezuela.


