
A presidente da Associação Argentina de Saúde Pública – Asociación Argentina de Salud Pública, Alejandra Sanchez Cabezas, e o médico e pesquisador Juan Franco assinam um artigo de opinião publicado nesta sexta-feira (29) no periódico científico The BMJ. Com o título “Argentina e EUA compartilham um projeto ideológico para destruir a ciência e a saúde” (tradução livre), a dupla discute as investidas do presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, e do presidente da Argentina, Javier Milei, contra a ciência e a saúde pública.
Para os pesquisadores, quando a saúde é subordinada às forças do mercado, à desregulamentação e à austeridade, o fardo recai sobre as comunidades vulneráveis.
Políticas nos EUA e na Argentina pioram os resultados de saúde, corroem os laços sociais e remodelam o significado do cuidado. Elas promovem a visão de que a saúde é uma responsabilidade individual vinculada ao mérito pessoal, o que mina os princípios de solidariedade e universalidade em saúde. As políticas determinam implicitamente quais vidas são protegidas e quais podem ser negligenciadas se consideradas “improdutivas” ou “não lucrativas”. Isso representa um aprofundamento da crise ética, em que a saúde pública se tornou novamente um espaço contestado. A saúde não se trata apenas de como tratamos doenças, mas também de como respondemos à dor, ao sofrimento e às necessidades humanas — escolhas políticas revelam o tipo de sociedade que estamos tentando construir.(Tradução livre).