
Nas últimas duas edições, a coluna da Abrasco no portal Outra Saúde, Saúde É Coletiva, abordou os impactos das bets e casas de aposta no Sistema Único de Saúde (SUS), e também o ataque de instituições privadas de ensino ao Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed). Os textos, disponíveis para leitura, foram publicados, respectivamente, em dezembro de 2025 e em janeiro deste ano.
No artigo”Bets e SUS: como agir antes do leite derramado”, os pesquisadores e abrasquianos Filipe Asth, Deivisson Vianna Dantas dos Santos, Rebeca Freitas e Dayana Rosa denunciam os impactos desse fenômeno na saúde pública e demonstram que faltam medidas estruturais, como restrição de publicidade e fortalecimento da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).
Assim, é fundamental e necessário uma virada de chave: sair de um modelo regulatório orientado pelo mercado e de um modelo de atenção voltado apenas para o tratamento do “leite derramado”, para um modelo sanitário, que reconheça as apostas como um produto de risco e ataque suas causas sistêmicas.
Já na publicação “Medicina: Por que escolas privadas foram contra o Enamed”, os pesquisadores Deivisson Santos e Sabrina Stefanello abordam os ataques das instituições privadas de ensino ao Exame, por mostrar que a sua qualidade é muito inferior à de faculdades públicas.
Os dados são um tapa na cara daquele velho discurso da eficiência e excelência do setor privado frente ao público. Enquanto 87,6% dos cursos das Instituições de Ensino Públicas Federais tiveram resultados entre 4 e 5 (em uma escala de 1 a 5), apenas 2,7% dos cursos das instituições privada com fins lucrativos obtiveram o mesmo resultado.


