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“Pedagogia do confronto” : confira como foi o último Grande Debate do 9ºCSHS

“A minha formação se deu na esquina, na pedagogia do confronto: lidar com pessoas diferentes, cada uma delas com todas as suas condições de vida, de vivência e sobrevivência. Esse conhecimento nunca chegará na academia”, afirmou Keila Simpson, presidenta da Associação Nacional de Travestis (ANTRA), durante o último Grande Debate do 9º CSHS, em 3 de novembro.

A mesa “Desafios para a reconstrução crítica do Brasil: o lugar e as contribuições das ciências sociais e humanas em saúde” encerrou a programação científica do evento, e trouxe reflexões importantes sobre as estruturas dos espaços acadêmicos – como o próprio congresso. 

Simpson defendeu a necessidade de “travestilizar” os espaços, incluindo os promovidos pela Abrasco – “Quando travestilizo o espaço, não estou tirando o direito de ninguém, estou dando o direito a quem não tem”. Ela destacou a importância da formação política para que grupos sociais historicamente marginalizados possam, cada vez mais, ocupar os espaços institucionais – como os Legislativo e o Executivo – e “agarrar a democracia nas unhas”. 

“Teremos eleições municipais ano que vem,  e precisamos utilizar nosso tempo para fazer campanha e mudar a cultura que está povoando nossas Assembleias Legislativas e o Congresso Nacional, temos que ‘desegeler’ aqueles que estão lá contra os nossos direitos”, afirmou a presidenta da ANTRA. 

A professora da UFPE, Maria Eliete Santiago, trouxe a perspectiva freiriana para o debate. Para ela, “Mulheres e homens são sujeitos, sujeitas de conhecimento, portadoras de ciência e saberes sociais, que anunciam suas compreensões de mundo e seus sonhos”. Ela defendeu que Paulo Freire seja um método – pensamento e ação – mas, sobretudo, “um conjunto de princípios”. 

“Amor é compromisso com o outro, com a outra, uma condição sociopolítica, cultural, educativa, compromisso com o sujeito exposto a diversas formas de discriminação e invisibilidade. A amorosidade pode ser conferida no modo como se expressa um compromisso com a sociedade melhor: atendimento hospitalar humanizado, práticas de gestão democrática, escolas de qualidade. Não há saber maior ou menor, mas saberes diferentes. A participação popular não é um slogan, é o caminho”, pontuou.  

Também participou do debate Maria Luiza Garnelo, da Fiocruz Amazônia. A antropóloga criticou a lógica de “generalização” da ciência ocidental, e afirmou que é preciso aprender com as sociedades indígenas, para quem “o singular é aquilo que realmente interessa”. Ela acredita que é importante aproximar a ciência da sociedade, como instrumento de transformação social: “ A linguagem universitária precisa ser uma ferramenta técnica, não uma ferramenta de exclusão, a gente tem que aprender muito sobre se comunicar”.

A mesa foi coordenada por Alexsandra Rodrigues de Lima, do MST. Assista na TV Abrasco:

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