
O 3º Simpósio Brasileiro de Saúde e Ambiente acontecerá em Cuiabá, capital do Mato Grosso, de 27 a 29 de maio de 2026, na Universidade Federal de Mato Grosso, com pré-evento agendado para o dia 26. Conheça um pouco mais sobre a história e as belezas locais.
Cuiabá e sua história
A região onde fica Cuiabá era habitada pelos coxiponés quando o bandeirante Pascoal Moreira Cabral chegou às suas margens, em 1718, percorrendo o rio Coxipó. Os indígenas resistiram à invasão e saíram vitoriosos do confronto. Cabral recuou e encontrou ouro nas proximidades. Em 8 de abril de 1719, assinou a ata de fundação no local conhecido como Forquilha. A data é celebrada até hoje como aniversário da capital mato-grossense, um registro que conta sobre a origem pela perspectiva extrativista e silencia os povos que ali vivem até hoje, preservando os biomas locais.
Nos anos seguintes, a lógica colonial seguiu seu curso administrativo. Em 1727, Cuiabá foi elevada à condição de vila; em 1818, tornou-se cidade; em 1835, assumiu a condição de capital da então província de Mato Grosso, posto que pertencia até então a Vila Bela da Santíssima Trindade.
O nome da cidade deriva de uma palavra é indígena e as hipóteses sobre sua origem revelam que bororos e guaranis nomearam esse lugar antes de sua ata de fundação. A explicação mais citada deriva da palavra bororo ikuiapá, que significa ‘lugar da ikuia’ — a flecha-arpão usada para pescar, feita de uma espécie de cana brava, que os bororos utilizavam no córrego da Prainha, área central da cidade atual. Outra hipótese vem do guarani kyyaverá, que se traduziria como ‘rio de lontra brilhante’. Uma terceira associa o nome à presença de árvores produtoras de cuia às margens do rio.
Seu centro histórico preserva mais de 400 imóveis tombados pelo IPHAN, com arquitetura que vai do colonial ao neoclássico e ao eclético. Já as ruas estreitas e sinuosas não são acidente urbanístico, mas um traço do extrativismo inscrito na própria forma da cidade. Foram construídas assim intencionalmente pelos colonizadores para dificultar a fuga de quem carregasse ouro. As marcas culturais dos povos que resistiram à colonização, os originários que habitavam o território e os africanos escravizados trazidos para extrair o ouro que financiou a cidade, sobreviveram ao projeto colonial e permanecem vivas nas ruas, na gastronomia e nas festas da capital.
Cuiabá ocupa as coordenadas 15°35’56” de latitude sul e 56°06’01” de longitude oeste, o ponto do Centro Geodésico da América do Sul. Um obelisco de mármore branco com mais de 20 metros de altura marca esse ponto na Praça Pascoal Moreira Cabral, em frente à Câmara Municipal, a centralidade geográfica do continente.
O que fazer em Cuiabá
Igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito
Construída por volta de 1730 no local onde funcionava a mais produtiva mina de ouro da região, a Igreja do Rosário e São Benedito é a mais antiga de Cuiabá e um dos marcos de sua fundação. As paredes têm detalhes de talha dourada e prateada descritos como únicos no Brasil e são uma herança direta do período que a extração do ouro financiava também a fé cristã. Tombada pelo IPHAN em 1975, em julho se torna a sede da Festa de São Benedito, a festividade religiosa mais longa do estado.
SESC Arsenal e o Espaço do Artesanato Mato-grossense
Instalado num prédio do século XIX que abrigou o antigo Arsenal de Guerra do Exército, o SESC Arsenal foi revitalizado e transformado num dos principais centros culturais de Mato Grosso. De acordo com pesquisa Datafolha de 2024, é o segundo espaço cultural mais visitado de Cuiabá, tendo recebido 749 mil pessoas em atividades de arte, lazer e convivência naquele ano. Teatro, cinema, biblioteca, academia, piscina, galeria de artes e ateliê de manualidades funcionam numa estrutura que preserva a arquitetura original.
No mesmo complexo está o Espaço do Artesanato Mato-grossense, herdeiro direto da antiga Casa do Artesão, que reunia cerâmica, trançados, redes, doces, pilões e peças utilitárias e ornamentais. O Arsenal mantém esse acervo vivo, com cerca de 200 artesãos cadastrados de todo o estado, distribuídos em 315 m² de exposição permanente. Aos sábados, o projeto Conhecendo o Artesão apresenta ao público a trajetória de artesãos locais durante o Café no Jardim; toda semana, o Bulixo reúne artesanato e gastronomia no pátio aberto do Arsenal.
Às margens do Rio Cuiabá, a região do Porto concentra boa parte da vida ao ar livre da cidade. São mais de 600 metros de extensão com calçadão acessível, ciclovia, espaço para feiras livres e atividades culturais e iluminação de LED. O espaço abriga esculturas em homenagem ao estadista cuiabano Dante Martins de Oliveira e ao carnavalesco e colunista social Jejé de Oyá, além de uma representação da viola de cocho, símbolo cultural da capital. A orla integra um conjunto com a Vila Cuiabana, com seus casarões históricos coloridos com espaços culturais, artesanais e gastronômicos, e o Mercado do Porto, frequentado por quem quer comer bem e conhecer a gastronomia local. Ao entardecer, é o ponto da cidade onde o sol se põe sobre o rio.
Com 77 hectares de Cerrado preservado no meio da capital, o parque leva o nome de uma curandeira e escravizada refugiada que faz parte da memória coletiva de Cuiabá. Inaugurado em 2000, é uma das poucas áreas deste bioma urbano do país. Trilhas sob a sombra de árvores nativas e a presença de saguis e cutias entre os visitantes fazem dele uma pausa necessária no roteiro da cidade. Funciona todos os dias.

Além de Cuiabá
Quem puder estender a viagem antes ou depois do SIBSA tem acesso a destinos naturais que estão entre os mais procurados do país, todos a menos de três horas de carro da UFMT.
Chapada dos Guimarães, a 70 km
O Parque Nacional da Chapada dos Guimarães está a 56 km de Cuiabá por estrada asfaltada em bom estado. Com 32.630 hectares de Cerrado, a Chapada tem formações rochosas de arenito, cachoeiras sequenciais e mirantes. A Cachoeira Véu de Noiva despenca 86 metros, uma das quedas mais altas do Centro-Oeste, acessível por trilha curta dentro do parque. Do Mirante Alto do Céu, ao entardecer, é possível ver a planície pantaneira ao longe. Em um único dia saindo cedo de Cuiabá é possível visitar os principais pontos do parque. Algumas trilhas são autoguiadas; outras exigem guia credenciado pelo ICMBio.
Nobres (Bom Jardim), a 140 km
O município de Nobres abriga a Vila Bom Jardim, destino de ecoturismo com rios de águas transparentes e fauna aquática diversificada. O Aquário Encantado é um poço de seis metros de profundidade alimentado pelo Rio Salobra, habitado por cardumes de piraputangas, dourados, piaus e outras espécies da bacia do Pantanal. A flutuação percorre quase um quilômetro em meio a mata de galeria. Nobres combina bem com a Chapada dos Guimarães em um roteiro de dois dias.
Pantanal, a partir de 100 km
A entrada pelo Mato Grosso se dá pela Estrada Parque Transpantaneira, que começa em Poconé, a 103 km de Cuiabá. Em maio, o Pantanal está na transição entre as águas e a seca: o nível dos rios começa a baixar e os animais se concentram nas margens, o que facilita a observação de jacarés, tuiuiús, araras-azuis e lobos-guará ao longo da estrada. Pernoitar numa pousada na Transpantaneira permite acompanhar o amanhecer e o entardecer, os melhores momentos para avistar tudo isso.
Gastronomia local
A culinária cuiabana tem base ribeirinha e usa o peixe como ingrediente central. Costelinha de pacu frita, chipa, bolinha de arroz, mojica de pintado e caldo de piranha estão entre os pratos mais enraizados na tradição local. A Maria Isabel, arroz com carne de sol, e a farofa de banana da terra completam a mesa. O pequi, fruto do Cerrado, aparece em preparações que marcam a identidade do interior do Centro-Oeste. Para encerrar, o furrundu, doce feito de mamão e rapadura, é a sobremesa mais representativa da cidade. O Mercado do Porto é o endereço mais acessível para experimentar tudo isso, num ambiente animado com mesas ocupadas por moradores e turistas lado a lado.
Até já, em Mato Grosso
O estado foi escolhido por abrigar Amazônia, o Cerrado e o Pantanal, três biomas brasileiros que precisam de proteção. É também o mesmo estado onde os impactos do agronegócio sobre a saúde das populações são mais documentados; onde povos originários vivem em processo permanente de resistência à desterritorialização; e onde comunidades ribeirinhas enfrentam diretamente as consequências do modelo de desenvolvimento dominante.
Além disso, essa escolha é também um gesto de reconhecimento da resistência dos movimentos e das cientistas locais engajadas na defesa da vida, com produção científica consistente. Neste contexto, o Núcleo de Estudos em Saúde do Trabalhador (NEAST) do Instituto de Saúde Coletiva (ISC) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) apresenta uma trajetória consolidada de pesquisa em Saúde do Trabalhador e Saúde Ambiental. A reitoria da UFMT recebeu o evento com apoio institucional e confirmou presença na cerimônia de abertura. As inscrições estão abertas.
Acesse sibsa.org.br para garantir sua participação.


