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3º Sibsa debate colapso ecológico e climático com protagonismo dos territórios e movimentos sociais

Suzane Durães – Coordenação de Saúde e Ambiente/VPAAPS

Durante o 3º Simpósio Brasileiro de Saúde e Ambiente (Sibsa), o coordenador de Saúde e Ambiente da Vice-Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde (VPAAPS) e um dos presidentes do evento, Guilherme Franco Netto, destacou a importância do encontro para o fortalecimento do debate sobre a relação entre saúde, ambiente e justiça social. Participam do simpósio cerca de 800 pessoas, entre elas 137 são da Fiocruz. Além de Guilherme, a pesquisadora da Fiocruz Karen Friedrich preside o simpósio. Nesta entrevista, Guilherme aborda a construção coletiva do simpósio, o protagonismo dos movimentos sociais e os desafios impostos pelo colapso ecológico e climático no planeta. 

O simpósio acontece após mais de uma década da última edição. Qual a importância deste momento?
Essa é uma iniciativa da Abrasco, por meio do Grupo Temático de Saúde e Ambiente, que visa trazer uma discussão crítica sobre as relações entre saúde e ambiente no contexto brasileiro, internacional e também territorial. Esse simpósio vem sendo maturado ao longo de muito tempo. O último Sibsa ocorreu em 2014, em Belo Horizonte, e, por conta principalmente da conjuntura política adversa que vivemos de lá para cá, não tivemos oportunidade, nem condições de mobilização e financiamento, para realizar uma nova edição. Nesta edição, centramos o debate na questão do colapso ecológico e climático. Entendemos que essa é uma das grandes questões do nosso tempo e que exige respostas da saúde coletiva, da ciência e dos movimentos sociais.

Como foi construída a programação do simpósio?
Criamos coletivos para discutir os temas, a programação e os assuntos considerados mais relevantes. Foi muito interessante porque desenvolvemos uma metodologia que culminou na constituição de rodas temáticas, que passaram a trazer os debates e os temas de interesse dos participantes. Tivemos seis grandes rodas que discutem processos mais sistêmicos, desde os impactos do agronegócio, da mineração e dos processos produtivos nos territórios até questões relacionadas à determinação ambiental da saúde.

O que diferencia esta edição das anteriores?
Temos uma característica muito relevante neste Sibsa, que é uma participação extremamente poderosa da sociedade, especialmente dos movimentos sociais do campo, das florestas, das águas e também das periferias urbanas. Isso engrandece o debate, porque a metodologia construída para o evento foi baseada em um processo participativo muito rico de saberes e de conhecimento.

Quais são os principais assuntos discutidos?
Estamos debatendo os efeitos das diferentes formas de poluição, dos agrotóxicos e da mineração sobre a saúde das populações e dos territórios. Também temos uma discussão muito importante sobre a relação do capital com a determinação socioambiental da saúde. Também discutimos o papel da agroecologia e dos processos emancipatórios como alternativas para enfrentar esses problemas e construir novos caminhos para os territórios. Outro ponto que vale destacar é que o simpósio está profundamente conectado com o trabalho desenvolvido pela saúde coletiva da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), especialmente pelo pesquisador Wanderlei Pignati, que é uma referência nessa área. Ele vem trabalhando essa temática de forma muito intensa nos últimos anos e dedicou sua vida a discutir o papel do agronegócio no estado do Mato Grosso e todas as consequências disso para a saúde das pessoas, para o ambiente e para a saúde do trabalhador.

Qual foi o papel da Fiocruz na realização do evento?
A Fiocruz teve um papel fundamental na realização do simpósio, contribuindo com recursos financeiros, além de uma importante contribuição intelectual e organizativa. Temos dezenas de pesquisadores e colaboradores da Fiocruz participando das rodas temáticas e demais atividades do evento. Além disso, a própria coordenação do evento é integrada por mim e por Karen Friedrich, que somos servidores da instituição.

Quais resultados o simpósio pretende entregar para a sociedade?
O simpósio culmina em uma proposição coletiva. Queremos entregar para a sociedade uma agenda da saúde coletiva capaz de contribuir para o enfrentamento do colapso ecológico e climático. Essa é uma das nossas principais expectativas. Tenho para mim que o Sibsa vai apresentar uma tese, uma contribuição muito relevante para todo esse debate sobre a relação entre saúde e ambiente no Brasil, no mundo e nos territórios. Acredito que sairemos daqui com uma reflexão coletiva consistente e com propostas concretas para enfrentar os desafios colocados pelo colapso ecológico e climático.

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