
O GT Avaliação em Saúde da Abrasco iniciou um processo de reorganização que busca fortalecer sua atuação na produção de conhecimento, na formação, na comunicação e na incidência sobre políticas públicas. O Grupo Temático montou uma agenda de atividades voltada à ampliação da participação de pesquisadoras e pesquisadores, estudantes, trabalhadores do Sistema Único de Saúde (SUS), gestores e instituições parceiras. A iniciativa prevê a realização de encontros mensais, a formação de redes para troca de experiências e colaboração e a realização de uma oficina durante o 10º Congresso Brasileiro de Ciências Sociais e Humanas em Saúde (10º CSHS).
Segundo a coordenação do GT, composta pelos pesquisadores Ana Lígia Passos Meira, Alice Uchoa e Victor Aquino, a proposta é consolidar um espaço permanente de intercâmbio e construção coletiva de conhecimento. Esse movimento, segundo os pesquisadores, busca fortalecer uma comunidade capaz de promover a circulação de conhecimentos, incentivar o diálogo entre diferentes atores e produzir respostas coletivas para os desafios contemporâneos enfrentados pelo SUS.
“O GT Avaliação em Saúde vem passando por um processo de reorganização, com o objetivo de ampliar sua capacidade de articulação e sua presença nos debates estratégicos da Saúde Coletiva. Nossa proposta é transformar o GT em um espaço permanente de produção, intercâmbio e incidência política, aproximando pesquisadores, docentes, estudantes, gestores, trabalhadores do SUS e instituições parceiras”, explicaram.
Criado em 2006, o grupo tem como missão fortalecer a avaliação em saúde como uma área estratégica da Saúde Coletiva. Em 2023, passou a adotar a atual denominação, refletindo a compreensão de que o monitoramento integra um campo mais amplo de produção de conhecimento, voltado ao aprimoramento das políticas, programas, serviços e sistemas de saúde. O atual processo de reorganização foi consolidado durante uma oficina realizada no último Abrascão, em Brasília, no ano de 2025, quando integrantes do GT debateram desafios contemporâneos da avaliação em saúde e construíram coletivamente uma agenda de prioridades para os próximos anos.
Entre as iniciativas previstas estão a realização de encontros mensais, alternando reuniões de planejamento com o LAB Experiência, espaço criado este ano dedicado à apresentação, compartilhamento e discussão de experiências inovadoras de avaliação em saúde. O GT também trabalha na organização de uma publicação coletiva que reunirá experiências de ensino, pesquisa e práticas desenvolvidas em diferentes regiões do país, além da realização de debates on-line, aberto ao público, para discutir temas estratégicos da área.
A agenda contempla ainda o fortalecimento da articulação com outros GT’s da Associação, redes nacionais e instituições públicas, como a Rede Brasileira de Monitoramento e Avaliação (RBMA) e o Ministério da Saúde, ampliando a interlocução entre pesquisa, gestão e serviços. Também fazem parte do planejamento a participação em eventos científicos e a elaboração de documentos que contribuam para qualificar o debate público sobre avaliação em saúde.
Além dessas ações, durante o 10º CSHS, em setembro deste ano, o GT realizará a oficina Avaliação em Saúde, Interculturalidade e Territórios: para onde deve caminhar a agenda crítica do campo?, com o objetivo de debater como produzir uma Avaliação em Saúde que não colonize territórios, mas que emerja desses espaços.
Avaliar também é posicionar-se
Mais do que aprimorar métodos e indicadores, o GT defende uma concepção de avaliação comprometida com os princípios da Saúde Coletiva e do SUS. Esse entendimento foi reafirmado na oficina realizada durante o último Abrascão, sintetizado na ideia de que avaliar também é posicionar-se.
“O contexto atual exige que a avaliação amplie seus referenciais teóricos e metodológicos, incorporando perspectivas críticas, participativas e, cada vez mais, decoloniais. Isso significa reconhecer diferentes formas de produzir conhecimento, valorizar os saberes construídos nos territórios e compreender que avaliar é, antes de tudo, contribuir para a construção de um sistema de saúde mais democrático e socialmente comprometido”, afirma a coordenação do GT.
A perspectiva defendida pelo GT compreende que a avaliação não se restringe à mensuração de resultados. É preciso considerar também a produção de evidências capazes de orientar decisões, identificar desigualdades, fortalecer o controle social e contribuir para o aperfeiçoamento das políticas públicas de saúde.
Comunicação e formação para ampliar a avaliação em saúde
Outro eixo prioritário desse conjunto de iniciativas é fortalecer a comunicação do conhecimento produzido pelas avaliações em saúde. Para o GT, transformar evidências científicas em informação acessível é condição essencial para ampliar seu uso por gestores, trabalhadores, conselheiros de saúde e pela sociedade.
A proposta envolve diversificar formatos de divulgação, combinando relatórios técnicos com materiais de divulgação científica, infográficos, vídeos, podcasts, notas técnicas e conteúdos para mídias digitais, aproximando a produção acadêmica das necessidades da gestão e dos serviços.
A formação também ocupa lugar central na nova agenda do grupo. As ações previstas buscam aproximar universidades, serviços de saúde e gestores, estimulando abordagens que dialoguem com os determinantes sociais da saúde, as desigualdades territoriais, as questões étnico-raciais e de gênero, as mudanças climáticas, a transformação digital e outros desafios contemporâneos para o SUS.
“Defendemos uma avaliação que não se limita a medir resultados, mas que contribui para transformar realidades. Avaliar é produzir conhecimento comprometido com a democracia, com a justiça social e com o fortalecimento do SUS”, concluíram.


