
A Abrasco lamenta, com profundo pesar, o falecimento do médico sanitarista Paulo Roberto Teixeira, ocorrido em 19 de setembro de 2026, em São Paulo, aos 77 anos.
Nascido em Álvares Machado (SP), Paulo formou-se em medicina pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Botucatu, especializou-se em dermatologia pela então Escola Paulista de Medicina, hoje Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), e em saúde pública pela Universidade de São Paulo (USP). Sua trajetória profissional começou no enfrentamento à hanseníase, à frente da Divisão de Hansenologia e Dermatologia Sanitária da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, experiência que moldou sua compreensão sobre os efeitos do estigma no acesso à saúde.
Em 1983, coordenou a criação do Programa Estadual de DST/Aids de São Paulo, considerado o primeiro programa público de aids do Brasil e uma das primeiras respostas estruturadas da América Latina à epidemia. Ao longo de mais de quatro décadas, tornou-se uma das vozes mais relevantes na construção de uma resposta brasileira à aids fundamentada em ciência, assistência, prevenção, participação social e direitos humanos. Em 2000, assumiu a Coordenação Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde, onde teve papel decisivo na defesa da redução de preços dos antirretrovirais e do licenciamento compulsório de medicamentos, posição que contribuiu para consolidar o Brasil como referência internacional em acesso universal ao tratamento. Em 2003, assumiu a direção do Departamento de HIV/Aids da Organização Mundial da Saúde (OMS), onde atuou pela ampliação do acesso a antirretrovirais em países pobres e em desenvolvimento.
Sua atuação também foi marcada pelo compromisso histórico com a democracia e com a construção do Sistema Único de Saúde (SUS), desde a militância estudantil durante a ditadura militar até a defesa, ao longo de toda a carreira, da saúde como direito e da responsabilidade do Estado diante das populações mais vulnerabilizadas.
A Abrasco se solidariza com familiares, amigos e colegas de Paulo Roberto Teixeira, e reconhece nele um dos nomes que ajudaram a construir, no Brasil e no mundo, uma resposta à aids pautada pela ciência, pelo cuidado e pela defesa da dignidade humana. Seu legado segue vivo na Saúde Coletiva e no compromisso permanente com o SUS.


