
A Comissão de Ciências Sociais e Humanas em Saúde (CSHS) da Abrasco realizou, nos dias 27 e 28 de julho, na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), a Oficina do Plano Diretor da Área de Ciências Sociais e Humanas em Saúde 2026-2029. O encontro reuniu pesquisadoras e pesquisadores de diferentes regiões do país, integrantes da Comissão e representantes institucionais para discutir desafios, prioridades e estratégias para o fortalecimento da área.
A elaboração do Plano Diretor vem sendo construída há cerca de dois anos e envolve a revisão dos documentos anteriores da Comissão, consultas aos representantes institucionais, reuniões presenciais e virtuais, grupos de trabalho e oficinas regionais. O documento está organizado em seis eixos: identidade, reconfiguração, visibilidade e reconhecimento epistemológico da área; inserção política, institucional e atuação profissional; formação e currículo; produção científica e translação do conhecimento; financiamento e fomento à pesquisa; e desigualdades regionais e justiça epistêmica.
A abertura da oficina contou com a participação do presidente da Abrasco, Rômulo Paes de Souza; do diretor do Instituto de Medicina Social da Uerj, Mario Roberto Dal Poz; de Aylene Bousquat, representante da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes); de Maria Lúcia Magalhães Bosi, representante do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq); e de Jorge Henrique Santos Saldanha, coordenador da Comissão CSHS.



Durante o encontro, Henrique Saldanha apresentou o histórico de construção do Plano Diretor e o percurso desenvolvido pela Comissão até a realização da oficina. Ao longo dos dois dias, participantes foram organizados em grupos de trabalho vinculados aos seis eixos do documento: identidade, reconfiguração, visibilidade e reconhecimento epistemológico da área; inserção política, institucional e atuação profissional; formação e currículo; produção científica e translação do conhecimento; financiamento e fomento à pesquisa; e desigualdades regionais e justiça epistêmica. Os debates buscaram aprofundar propostas e encaminhamentos para cada uma dessas dimensões.
Para Keila Brito, vice-presidente da CSHS e integrante do Núcleo Gestor do Plano Diretor, o percurso de elaboração do documento foi construído em diferentes etapas, envolvendo a participação de representantes da área. “Esse processo vem se estendendo há quase dois anos. Inicialmente, foi feita uma revisão de todos os planos diretores anteriores, porque esse não é o primeiro da área. A partir daí, foi analisado quais problemas eram apontados anteriormente, quais questões permaneciam e o que precisava ser pensado para o plano atual”, explica.
Segundo Keila, a construção também envolveu oficinas, reuniões e encontros realizados ao longo dos últimos anos, além da organização de debates a partir de eixos temáticos. Entre as estratégias adotadas pela Comissão, ela destaca a realização de encontros regionais como uma etapa importante para ampliar a participação dos diferentes territórios.
Ao todo, foram realizados cinco encontros regionais, com a participação de pesquisadoras e pesquisadores que discutiram temas relacionados ao financiamento, formação, produção científica e outros desafios da área.
A relação entre território e produção de conhecimento também esteve presente nas discussões. Para Rui Harayama, antropólogo sanitarista da Universidade Federal do Oeste do Pará e integrante da Comissão CSHS, a participação de diferentes regiões contribui para ampliar os olhares sobre os desafios da área.
“Em relação ao último plano, ele avança principalmente com uma melhora do diálogo com o campo como um todo, para conseguir dialogar com as diferentes realidades regionais, de grupos consolidados de pesquisa, com os grupos emergentes. É uma troca muito interessante intergeracional também, entre pesquisadores consolidados e pesquisadores novos, que dá uma diversidade muito importante para esse plano”, avalia.
Para Rui, a participação de pesquisadores de diferentes territórios também é fundamental para fortalecer a construção coletiva da saúde coletiva brasileira. “Como pesquisador da área, principalmente de representações da região Norte, para a gente é muito importante ser ouvido, propor, dialogar e também manter esse tensionamento que existe dentro da produção de ciência, que eu acho que isso é central para a gente conseguir consolidar o Sistema Único de Saúde e a saúde coletiva no Brasil.”
Henrique Saldanha destaca que o processo de elaboração do Plano Diretor possibilitou uma reflexão coletiva da área sobre seus desafios, potencialidades e caminhos para os próximos anos.
“Para nós, o Plano Diretor das Ciências Sociais e Humanas em Saúde da Abrasco, para além de um documento que organiza a nossa avaliação sobre os problemas da área e as ações e estratégias para superação desses problemas, tem sido a organização de um processo da área conseguir olhar para ela mesma, entendendo quais são os seus desafios, quais são as suas potências e qual é o caminho que a gente quer para construir essa área nos próximos anos”, afirma.
Segundo Henrique, alguns desafios históricos permanecem presentes, como as assimetrias em relação a outras áreas da saúde coletiva e o reconhecimento das Ciências Sociais e Humanas em Saúde. Ao mesmo tempo, novos temas ganharam centralidade no debate, como as desigualdades regionais e epistêmicas.
A oficina realizada na Uerj encerra uma etapa de construção coletiva do documento. Após a incorporação das contribuições debatidas no encontro, a versão final do Plano Diretor da Área de Ciências Sociais e Humanas em Saúde será apresentada durante o Congresso Brasileiro Ciências Sociais e Humanas em Saúde, que acontece em Manaus, em setembro de 2026.

10° Congresso Brasileiro de Ciências Sociais e Humanas em Saúde acontece em Manaus!
Encontro acontece entre os dias 16 e 19 de setembro, na UFAM. Inscrições abertas! | cshs.org.br


