
Para quem vai participar do 10º Congresso Brasileiro de Ciências Sociais e Humanas em Saúde, a Comissão Local de Cultura preparou uma seleção de livros que dialogam com o tema do evento e ajudam a conhecer a região. Entre romances, crônicas, poesia e relatos, as indicações passam por autores amazonenses e por obras que ajudam a compreender a Amazônia a partir de suas próprias vozes e histórias.
Confira a seleção:
A Ilusão do Fausto, Edinea Mascarenhas
Estudo pioneiro sobre Manaus, cidade planejada e construída para atender a uma demanda do capital internacional. A obra vai além da imagem da cidade embelezada, com suas praças, monumentos e edifícios suntuosos, para revelar uma zona de sombra pouco explorada nesse urbanismo inspirado na Paris do prefeito Haussmann.
A Queda do Céu: Palavras de um Xamã Yanomami, Davi Kopenawa e Bruce Albert
Um relato que reúne testemunho autobiográfico, manifesto xamânico e denúncia contra a destruição da floresta Amazônica. A obra apresenta as reflexões do xamã Davi Kopenawa sobre o contato predador com o homem branco e as ameaças enfrentadas pelo povo Yanomami. O livro foi construído a partir das palavras de Kopenawa, registradas pelo etnólogo Bruce Albert ao longo de décadas de convivência.
Amazônia Colônia do Brasil, Violeta Loureiro
A partir de sua formação intelectual, Violeta Loureiro apresenta uma compreensão da Amazônia contemporânea. A autora sustenta que a região mantém uma condição colonial, antes subordinada a Portugal e, atualmente, ao próprio Brasil, o que impede seu pleno desenvolvimento e a melhoria da vida de sua população.
As Crônicas do Rio Amazonas, Antonio Porro
Uma obra para conhecer o período inicial da ocupação da Amazônia, marcado pela descoberta de povos e rios, produtos e imaginários, além das relações entre fantasia e realidade.
Banzeiro Òkòtó: Uma viagem à Amazônia Centro do Mundo, Eliane Brum
A jornalista e escritora Eliane Brum mergulha nas múltiplas realidades da Amazônia e na escalada de devastação da floresta. A obra também reflete sobre o colapso climático e mostra como raça, classe e gênero estão implicados no destino da Amazônia e da Terra.
Dois Irmãos, Milton Hatoum
O romance narra a relação conturbada entre dois irmãos de uma família de ascendência libanesa que vive em Manaus. Ciúme, rancor, inveja, desejo, orgulho e morte atravessam a narrativa, que também aborda questões políticas e sociais.
Frauta de Barro, Luiz Bacellar
Um dos mais expressivos livros do poeta Luiz Bacellar, a obra apresenta uma lírica marcada pela terra natal do autor. O poeta canta os bairros, as ruas, as casas e o homem de uma cidade que existe também na memória.
Mundo mundo vasto mundo, Carlos Gomes
Os contos retratam a vida em Manaus nos anos 1950 e 1960. Com tom crítico, a obra aborda temas como cultura popular, êxodo rural, monotonia das repartições públicas e o clima político da época.
No tempo de eu menino, Odenildo Sena
Livro de crônicas que tem como cenário o bairro de São Raimundo, em Manaus, nos tempos de menino do autor. As histórias recuperam memórias de um período que não volta mais, nem para o escritor nem para o bairro onde viveu.
O Tocador de Charamela, Erasmo Linhares
Obra de estreia de Erasmo Linhares, um dos mais expressivos escritores amazonenses. Seus textos se destacam pela agilidade e pelo realismo fantástico, abordando conflitos humanos, a aspereza da vida e personagens do submundo urbano. Linhares também participou de movimentos culturais patrocinados pelo Clube da Madrugada e exerceu o jornalismo no rádio.
Órfãos do Eldorado, Milton Hatoum
Às margens do rio Amazonas, um velho começa a contar a história de Arminto Cordovil, marcada pelo amor desesperado por Dinaura. A narrativa se amplia para contar a história de uma família, de uma região e de uma época que, baseada na exploração da seringueira e no crédito inglês, buscou realizar o sonho de um Eldorado amazônico.
Relato de um Certo Oriente, Milton Hatoum
Após um longo período de ausência, uma mulher retorna a Manaus, cidade de sua infância, em busca de Emilie, matriarca de uma família libanesa radicada na cidade. Entre o Oriente e o Amazonas, a narrativa reconstrói um mundo perdido por meio das falas das personagens e dos ecos da tradição oral. A obra recebeu, em 1990, o Prêmio Jabuti de Melhor Romance.


