
A tradicional Tenda Paulo Freire dos eventos da Abrasco ganhou contornos amazônicos para o 10º Congresso Brasileiro de Ciências Sociais e Humanas em Saúde (CSHS), em Manaus (AM). Rebatizada de Tenda-Maloca Paulo Freire, em uma perspectiva de “aldeamento” das práticas de educação popular em saúde, o espaço acontece de 17 a 19 de setembro, com atividades das 8h30 às 16h50.
Sob o tema “Corpos, territórios e ancestralidades: medicinas indígenas, saberes de terreiro, diversidades e educação popular na produção do bem viver na Amazônia“, a Tenda-Maloca busca promover encontros interculturais que valorizem as medicinas tradicionais, as espiritualidades, as práticas comunitárias de cuidado e os conhecimentos produzidos pelos povos indígenas, comunidades de terreiro, quilombolas e demais populações tradicionais. Ao debater a produção da educação popular a partir desses sujeitos como produtores legítimos de saberes e tecnologias de cuidado, o espaço reafirma a defesa da vida, da diversidade, da justiça socioambiental e do bem viver como horizontes ético-políticos para a construção de um SUS mais democrático, intercultural e comprometido com a sustentabilidade dos corpos, dos territórios e dos modos de existir na Amazônia.
A Tenda-Maloca se constitui como um espaço vivo de encontro, diálogo, escuta, cultura, afetos e construção compartilhada de conhecimento, integrando movimentos sociais, comunidades tradicionais, serviços de saúde e acadêmicos para refletir novas possibilidades de pensar e fazer a Saúde Coletiva. A programação reúne oficinas, rodas de conversa, gira de saberes tradicionais, análise de conjuntura, místicas, lançamento de livros, mostra de vídeos, cortejo e cenopoesia.
Na quinta-feira (17/09), a abertura acontece com uma mística conduzida por lideranças do Centro de Medicina Indígena Bahserikowi, seguida de um encontro sobre medicinas indígenas e do lançamento do Guia de Vigilância Popular em Saúde e Emergências Sanitárias. O dia se encerra com uma análise de conjuntura sobre educação popular em saúde no contexto nacional, a cenopoesia e o cortejo “Primavera da Saúde”, que reúne movimentos sociais e organizações como a Articulação Nacional de Movimentos e Práticas de Educação Popular em Saúde (Aneps), o Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes), o Conselho Nacional de Saúde (CNS), o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), o Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), o Movimento Nacional da População de Rua (MNPR) e a Associação Brasileira Rede Unida.
Na sexta-feira (18/09), a programação traz rodas de conversa sobre as tecnologias do cuidado de parteiras tradicionais da Amazônia; sobre a saúde das pescadoras e a vigilância popular; e sobre lutas pela equidade no SUS; além do lançamento do dossiê “Danos dos agrotóxicos na saúde reprodutiva”; e de uma oficina sobre práticas de educação popular em saúde indígena.
No sábado (19/09), integram a Tenda-Maloca: as rodas de conversa “Igualdade não basta: por que o SUS aposta na equidade?” e “Juventudes na construção do SUS”; a mostra de vídeos em educação popular em saúde; e a Gira de Saberes Tradicionais, dedicada às memórias e ancestralidades dos povos e comunidades de terreiro e matriz africana. A programação se encerra com uma avaliação estético-política conduzida pela própria organização do espaço.
A comissão organizadora é formada por membros do Grupo Temático de Educação Popular e Saúde da Abrasco e da Articulação Nacional de Movimentos e Práticas de Educação Popular em Saúde (Aneps), com apoio da Universidade Federal do Amazonas, da Fiocruz Amazônia, do Núcleo Angicos da Fiocruz Brasília e da Coordenação Geral de Educação Popular em Saúde do Ministério da Saúde.


