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Manaus: Encontro Nacional do Fórum de Coordenadores aborda assimetrias e fortalecimento da pós-graduação em Saúde Coletiva

A segunda edição deste ano do Encontro Nacional do Fórum de Coordenadores e Coordenadoras de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Abrasco reuniu 115 pessoas no auditório da Escola Superior de Ciências da Saúde da Universidade do Estado do Amazonas (ESA/UEA). As atividades integram o pré-congresso do 10º CSHS. Nesta segunda-feira (14), primeiro dia do evento, painéis abordaram questões relacionadas ao atual contexto da pós-graduação em Saúde Coletiva no Brasil, como as assimetrias regionais e as estratégias de fortalecimento do campo. Os participantes também trabalharam em grupos para debater o planejamento estratégico dos programas e do Fórum, que completa 30 anos.

O Fórum de Coordenadores dos Cursos de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Abrasco reúne representantes dos programas de pós-graduação da área no Brasil e tem como objetivos promover a reflexão e o compartilhamento de experiências e demandas relacionadas à formação de profissionais da área da saúde.

Na mesa de abertura, que contou com representantes dos programas de pós-graduação em Saúde Coletiva da UEA, Fiocruz Amazônia e Universidade Federal do Amazonas (UFAM), além de representantes da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), a vice-presidente da Abrasco, Carmem Leitão, enfatizou a importância do Fórum como espaço de articulação e agradeceu às instituições parceiras anfitriãs do Encontro.

“O Fórum reúne produção de conhecimento, formação crítica e valorização de todos os sujeitos que fazem parte da Saúde Coletiva e atuam em defesa da população brasileira. Ressalto também o protagonismo das instituições públicas de ensino deste estado na organização do evento, mostrando sua força, capacidade e que aqui se constrói conhecimento e o desejo de um país melhor”, concluiu.

Pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da UEA, o professor Roberto Sanches Mubarac Sobrinho destacou a importância de iniciativas como o Fórum da Abrasco para pensar e contribuir politicamente com o Brasil. “Este fórum e nosso papel, enquanto cursos e instituições, é debater a democracia e discutir qual tipo de país queremos”, declarou.

Na sequência, o primeiro painel abordou “A pós-graduação em Saúde Coletiva e assimetrias nacionais: territórios, saberes e cooperação nacional”. A atividade foi mediada por um dos coordenadores do Fórum, André Machado. As expositoras foram as pesquisadoras e professoras Luiza Garnelo (Fiocruz Amazônia), Sônia Maria Lemos (UEA), Priscila Marcheti (UFMS) e Edi Franciele Ries (UFSM).

As painelistas abordaram dificuldades enfrentadas pelos cursos das regiões Norte e Centro-Oeste. Além da ampla dimensão territorial dos estados, há uma quantidade menor de programas de pós-graduação em comparação com outras regiões brasileiras, bem como menor disponibilidade de recursos, como destacou a professora Priscila Marcheti. “Entre os desafios que encontramos estão as longas distâncias entre os municípios, uma vez que desejamos formar profissionais para o Mato Grosso do Sul. Existem desigualdades territoriais de acesso”, explicou.

A integração com outras instituições e a formação de redes apareceram como iniciativas importantes na tentativa de reduzir as assimetrias. As pesquisadoras abordaram ainda a necessidade de refletir sobre o ensino, considerando a formação inicial dos estudantes que chegam à pós-graduação. Para Luiza Garnelo, é importante fazer com que os estudantes avancem da reprodução de técnicas à produção de conhecimento propriamente dita, e isso passa também por olhar para as disciplinas oferecidas na graduação.

“Precisamos refletir sobre a qualidade do ensino superior que oferecemos e pensar melhor a oferta de disciplinas de graduação sobre Saúde Coletiva. É preciso que consigamos levar para os cursos de graduação no que, de fato, consiste a Saúde Coletiva”, enunciou.

Durante a programação do primeiro dia do Encontro, a vice-presidente da Abrasco, Carmem Leitão, também apresentou o Curso Nacional de Fortalecimento dos Programas de Pós-Graduação na área da Saúde Coletiva Brasileira, já em sua segunda edição. A iniciativa da Abrasco, em parceria com a CAPES e com apoio da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação em Saúde do Ministério da Saúde (SGTES/MS), tem como objetivo contribuir para a consolidação e o fortalecimento da pós-graduação na área, com foco na redução das assimetrias regionais e na qualificação de programas em processo de consolidação.

Também foi anunciada pela Abrasco a abertura da seleção para mentoria em programas de pós-graduação em Saúde Coletiva. A chamada pública, que já está disponível, é destinada exclusivamente à seleção de pesquisadores e docentes para atuação como mentores no Projeto de Fortalecimento da Pós-Graduação em Saúde Coletiva. Serão selecionados até 17 pesquisadores e docentes para acompanhar até 57 programas.

No período da tarde, os participantes foram divididos em dois grupos: um voltado aos programas profissionais e outro aos programas acadêmicos. A partir de três perguntas disparadoras, os coordenadores de pós-graduação debateram quais práticas produziram melhorias verificáveis, quais são as principais barreiras enfrentadas e quais ações colaborativas devem ser priorizadas.

A coordenadora da área de Saúde Coletiva na CAPES, Aylene Bousquat, considera que essas atividades são fundamentais para fortalecer a cooperação. “Seguindo a tradição do Fórum, trabalhamos em grupos, um espaço muito rico, quando a gente troca entre os programas, demonstramos uma característica marcante da Saúde Coletiva brasileira, que é a solidariedade”, afirmou.

As atividades do segundo Encontro Nacional do Fórum de Coordenadores e Coordenadoras de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Abrasco continuam nesta terça-feira (15), na UEA, e incluem uma mesa-redonda comemorativa dos 30 anos do Fórum.

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