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14° Abrascão | Divulgação do manifesto da oficina “Equidade de gênero na saúde: como podemos alcançar?”

Luiza Toschi

O 14º Abrascão continua gerando desdobramentos. Durante a oficina “Equidade de gênero na saúde: como podemos alcançar?”, realizada em 29 de novembro, no pré-congresso do 14º Abrascão, foi elaborado um manifesto que expressa as posições e demandas das pessoas participantes e que agora está disponível para apoio público. A Abrasco divulga o documento no âmbito de seu compromisso com a pluralidade de perspectivas e com o rigor do debate no campo da Saúde Coletiva.

Para subscrever a petição vinculada à campanha, acesse: change.org/VKQsWHbPpD.

Realizado entre os dias 28 de novembro e 3 de dezembro de 2025 em Brasília, a maior edição do Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva da história reuniu mais de 7.500 pesquisadoras e pesquisadores, gestoras e gestores, trabalhadoras e trabalhadores da saúde, estudantes e representantes de movimentos sociais de todo o país para debater o tema central “Democracia, equidade e justiça climática: a saúde e o enfrentamento dos desafios do século XXI”.

Confira o manifesto na íntegra:

Manifesto produzido a partir da oficina “Equidade de gênero na saúde: como podemos alcançar?” realizada no 14° Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva. 

Nós, participantes da oficina “Equidade de gênero na saúde: como podemos alcançar?”, realizada no dia 29 de novembro de 2025, compartilhamos nossas reflexões sobre os desafios e as oportunidades para as mulheres e plurais mulheridades que atuam no campo da Saúde tenham acesso iguais oportunidades, considerando raça/cor, classe social, território, deficiência e sexualidade como interseccionalidades centrais.

As mulheres representam 70% da força de trabalho na área de saúde, no Brasil e no mundo, no entanto, ocupam apenas um quarto dos cargos de liderança. 

Nossas experiências no ambiente de trabalho registram violências múltiplas, da moral à física, que podem ser observadas na desvalorização de nossa capacidade técnica, mesmo quando temos igual ou melhor formação que homens; silenciamentos e múltiplas formas de misoginia que resultam na impossibilidade de alcançar oportunidades justas; na estagnação ou retardamento da progressão de carreira; em adoecimentos físicos e mentais e em ambientes de trabalho demasiadamente estressantes e competitivos.

Ser mulher em um cargo de liderança é ser desafiada todo o tempo a mostrar seu valor. É passar por validação constante para que seu lugar de fala, posição e atuação profissional sejam respeitadas. 

Mulheres, estejam elas em cargo de decisão ou não, também são sobrecarregadas pela tripla jornada de trabalho, com destaque ao trabalho doméstico não remunerado que recai desigualmente sobre as mulheres, que ocupam-se mais desse tipo de trabalho do que homens, mesmo que ambos trabalhem fora de casa.

Todas essas iniquidades são agravadas pelo racismo, pelo sexismo e pelo capacitismo que estruturam as instituições implicando em impedimentos e sofrimentos, em especial para mulheres negras e indígenas, mulheres transgênero e mulheres com deficiência. 

Apesar desse cenário, as mulheres têm avançado – mesmo que lentamente – para ocupar cargos de decisão e contribuir para um sistema de saúde responsivo ao gênero, uma vez que grande parte das usuárias de saúde também são mulheres e negras.

Diante do exposto, propomos um conceito de equidade na saúde que seja plural e inclusivo, abarcando estratégias de cuidado e de autocuidado, acesso a políticas públicas e políticas institucionais reparatórias, como cotas raciais, sociais e de gênero, paridade da licença paternidade à licença maternidade. Reivindicamos a criação de espaços seguros de trabalho, ouvidoria para denúncias de assédio e outras formas de violências no ambiente de trabalho que evitem situações limite como a observada essa semana no Rio de Janeiro em que uma trabalhadora foi assassinada por seu colega de trabalho, dentro do trabalho. 

Entendemos como urgente a inclusão de ações de educação permanente, com letramentos racial e de gênero para todos os gestores e pessoas em cargo de tomada de decisão, em especial se forem homens. Repudiamos todas as expressões do patriarcado, do sexismo e do racismo que limitem e cerceiam as possibilidades existenciais e profissionais das mulheres. Defendemos práticas institucionais de proteção e promoção de suas trabalhadoras, compatíveis com a realidade e os desafios dos territórios em que estão inseridas.

Por fim, entendemos que a luta pelas equidadeS de gênero precisa ser encampada por todas, todes e todos! De forma que as mulheres, em especial as trabalhadoras da saúde, possam estar presentes em qualquer setor e cargo, dependendo somente de sua capacidade e conhecimento para tal.

Concluímos lembrando que o enfrentamento do racismo e do patriarcado são centrais para alcançarmos as equidadeS de gênero na saúde sendo estas centrais para a democracia e a justiça climática.

Assinamos enquanto participantes participantes da oficina:

Laurenice Pires
Fabiana da Glória Pinheiro Nogueira Ferreira 
Mábia Sousa Neves Trindade 
Victoria Régia Silva Santos Oliveira 
Ariadne Barbosa do Nascimento Einloft
Denise Santos Costa
Verônica Cristina de Oliveira dos Santos 
Solange Aparecida de Souza Bera
Camila Souza Granja
Ernani Costa Mendes

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