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Profissionais de saúde divulgam carta em defesa da proteção de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual e dos serviços de aborto legal

Comunicação Abrasco

Mais de 380 profissionais de saúde que atuam em serviços brasileiros de aborto legal divulgaram uma carta aberta em defesa da proteção de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual e contra a suspensão da Resolução nº 258/2024 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda). O documento também manifesta preocupação com os impactos do Decreto Legislativo nº 105/2026 (PDL 03/2025), aprovado pelo Senado Federal, sobre o acesso a direitos já garantidos pela legislação brasileira. Assinada por profissionais de diferentes regiões do país, a carta reúne relatos e reflexões de quem atua diretamente no acolhimento de pessoas que engravidaram em decorrência de violência sexual.

No documento, os profissionais destacam que a Resolução nº 258 do Conanda desempenha papel fundamental ao organizar e sistematizar normas, leis e diretrizes já existentes, contribuindo para a qualificação e a uniformização do atendimento prestado a crianças e adolescentes vítimas de violência sexual em todo o país. Segundo a carta, a resolução também fortalece a atuação das equipes multiprofissionais e ajuda a enfrentar situações de violência institucional e estigmatização relacionadas ao cuidado em abortamento.

Os signatários alertam que a suspensão da normativa pode ampliar barreiras de acesso aos serviços especializados, aumentar a desinformação sobre os direitos previstos em lei e fragilizar a rede de proteção voltada às vítimas de violência sexual. O texto também chama atenção para os impactos sobre os profissionais de saúde, que podem enfrentar maior insegurança no exercício de suas atividades e aumento do estigma associado ao trabalho desenvolvido nesses serviços.


A carta ressalta ainda que a legislação brasileira continua assegurando a interrupção da gravidez nos casos previstos em lei, como situações de violência sexual, risco à vida da gestante e condições fetais incompatíveis com a vida. Nesse contexto, os profissionais reafirmam o compromisso com a oferta de cuidado pautado nos princípios da universalidade, integralidade, equidade e humanização do Sistema Único de Saúde (SUS), fundamentado em evidências científicas e no respeito aos direitos humanos.

O documento faz um apelo à sociedade, aos parlamentares e aos gestores públicos para que fortaleçam a disseminação de informações corretas sobre os direitos sexuais e reprodutivos e sobre os serviços disponíveis no SUS. Também reafirmam a importância do Conanda como espaço de garantia e promoção dos direitos de crianças e adolescentes. A iniciativa converge com o posicionamento recentemente manifestado pela Abrasco em defesa dos direitos sexuais e reprodutivos, da proteção integral de crianças e adolescentes e do fortalecimento das políticas públicas baseadas em evidências científicas, nos direitos humanos e nos princípios do SUS.

Leia a carta na íntegra:

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