
Após uma semana de debates, atividades coletivas e troca de experiências entre programas de diferentes regiões do país, chegou ao fim o 2º Curso de Fortalecimento da Pós-Graduação em Saúde Coletiva Brasileira. A iniciativa reuniu coordenadores e coordenadoras de Programas de Pós-Graduação em Saúde Coletiva para discutir desafios da gestão acadêmica, avaliação, planejamento estratégico e caminhos para fortalecer a formação e a pesquisa na área.
Realizado pela Abrasco, em parceria com a CAPES e a Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde (SGTES/MS), com apoio da Fiocruz Brasília, o curso integra uma estratégia de fortalecimento da pós-graduação em Saúde Coletiva e de enfrentamento das desigualdades existentes entre programas e regiões do país.
Ao longo da programação, mais de 45 participantes discutiram temas relacionados à gestão dos programas, processos de autoavaliação, formação acadêmica, inserção social, ações afirmativas e desafios contemporâneos da produção científica. A proposta foi criar um espaço de aprendizado compartilhado entre programas com diferentes trajetórias, estimulando a cooperação e a construção coletiva de soluções.
A segunda edição ampliou a participação de coordenadores e representantes de programas, especialmente daqueles em processo de consolidação. O objetivo foi fortalecer a troca entre diferentes experiências, aproximando programas com trajetórias distintas e contribuindo para qualificar processos de gestão acadêmica.A iniciativa contou com representação de programas de todas as regiões do país.
Para Aylene Bousquat, coordenadora da Área de Saúde Coletiva na CAPES, o curso representa uma estratégia de enfrentamento das desigualdades presentes na oferta da pós-graduação brasileira. Segundo ela, a redução das assimetrias entre programas depende de processos permanentes de qualificação, troca de experiências e fortalecimento da gestão acadêmica.
“Em todas as áreas, a gente constata desigualdades e assimetrias na oferta da pós-graduação. Mas isso não pode ser resolvido por medidas administrativas. Isso tem que ser resolvido com qualificação, porque todos os nossos estados e todos os nossos espaços merecem ter cursos muito bons de pós-graduação, especialmente na Saúde Coletiva, pelo nosso grande compromisso com o SUS e com as políticas públicas”, afirmou.
A coordenadora destacou ainda que a iniciativa amplia o número de pessoas envolvidas na discussão sobre gestão, avaliação e particularidades da Saúde Coletiva, fortalecendo uma experiência considerada pioneira na articulação entre a Abrasco, a CAPES e o Fórum de Coordenadores de Pós-Graduação em Saúde Coletiva.
“Esse curso, que já está na segunda edição, está dobrando o número de pessoas que estão vendo a gestão, repensando os processos de avaliação, refletindo sobre a ciência de uma forma geral, mas também sobre as particularidades da Saúde Coletiva. É muito importante”, destacou.
A vice-presidente da Abrasco, Carmem Leitão, ressaltou que a diversidade entre os programas de pós-graduação em Saúde Coletiva é uma característica da área, mas também exige estratégias para enfrentar desigualdades históricas e regionais.
Segundo ela, os programas possuem diferentes trajetórias de consolidação, áreas de atuação, capacidade de internacionalização e acesso a recursos. O desafio é compreender como essas diferenças podem se transformar em assimetrias que precisam ser enfrentadas por meio de políticas de apoio e fortalecimento institucional.
“A gente tem uma diversidade muito grande de programas. O que a gente avalia é em que medida essa diversidade também repercute como desigualdade ou como uma assimetria que a gente precisa combater. Então, a gente precisa pensar como fazer alguns tipos de enfrentamento e apoiar quem tem mais dificuldade, porque isso também reflete desigualdades históricas e desigualdades regionais”, afirmou.
Troca de experiências e impacto nos programas


Para os participantes, um dos principais resultados do curso foi a possibilidade de compartilhar desafios e conhecer estratégias desenvolvidas por programas de diferentes contextos.
Ana Paula Muraro, coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Universidade Federal de Mato Grosso, destacou que a experiência contribuiu para ampliar reflexões sobre a estrutura e os caminhos de desenvolvimento dos programas.
“Essa experiência tem sido muito proveitosa. Eu já tinha uma boa expectativa ao ver a programação, porque ela traz pontos que considero essenciais para pensar a estrutura dos programas e a formação dos nossos alunos. Ao chegar aqui, essas expectativas se confirmaram”, afirmou.
Segundo Ana Paula, a troca entre programas permitiu identificar desafios comuns e construir novas possibilidades de enfrentamento.
“O que mais tem contribuído é não só a participação nas falas dos coordenadores de área e do fórum, mas principalmente a troca entre os programas presentes. As experiências compartilhadas mostram desafios muitas vezes comuns e, a partir disso, surgem possibilidades e caminhos para enfrentar as dificuldades que também vivemos no nosso programa”, destacou.
Alexandre Teles, coordenador do Programa Profissional em Atenção Primária à Saúde da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro, também ressaltou a importância da cooperação entre instituições e da metodologia utilizada durante o encontro. “É uma oportunidade de troca de experiências com coordenadores de diferentes programas de todo o Brasil, o que nos permite conhecer realidades de outras regiões e também práticas na produção técnico-tecnológica e em inovações”, afirmou.
Para ele, os debates sobre planejamento e autoavaliação dos programas serão levados de volta às instituições de origem. “A ideia é que possamos voltar para o Rio de Janeiro e para nossas instituições levando essas reflexões para o coletivo dos programas, com docentes, discentes e técnicos administrativos. O que vivemos aqui, tanto nas palestras quanto nos grupos menores de discussão, é uma riqueza metodológica importante”, completou.
Próximos passos
Um dos encaminhamentos apontados ao final da atividade é a ampliação do acompanhamento dos programas por meio de estratégias de cooperação entre instituições.
Bernardo Horta, ex-coordenador da Área de Saúde Coletiva na CAPES e um dos responsáveis pela construção do projeto do curso, avaliou positivamente a segunda edição e destacou a importância de ampliar o alcance da iniciativa.
“Esse curso está na segunda edição e a nossa avaliação é extremamente positiva. A gente tem tido ricos debates com os representantes dos programas. É importante salientar que estão participando coordenadores ou representantes de programas que não participaram da edição anterior, então estamos disseminando mais os pontos a serem discutidos aqui”, afirmou.
Segundo Bernardo, a proposta é fortalecer mecanismos de apoio entre programas consolidados e aqueles em processo de consolidação. “A proposta principal é intensificar esse acompanhamento dos programas a partir de uma mentoria, com os programas consolidados se aproximando desses programas que estão em consolidação e colaborando na aceleração desse processo”, destacou.
O presidente da Abrasco, Rômulo Paes de Sousa, reforçou que a iniciativa está alinhada ao compromisso histórico da Saúde Coletiva com o enfrentamento das desigualdades e com a construção de respostas mais equitativas para o país.
“A Saúde Coletiva tem como compromisso inerente o enfrentamento das desigualdades. E isso também é a principal missão da Abrasco: combater as iniquidades em saúde. Este curso está absolutamente sintonizado com esse compromisso, porque possibilita que a troca de conhecimento, o compartilhamento das possibilidades e das dificuldades façam com que tenhamos cursos mais homogêneos na sua capacidade de gestão”, afirmou.


