O último dia da segunda edição de 2026 do Encontro Nacional do Fórum de Coordenadores e Coordenadoras de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Abrasco (FCPSC) contou com uma programação comemorativa dos 30 anos do Fórum, ciclos de debate, painéis e informes sobre o processo de Avaliação de Propostas de Cursos Novos (APCN) e o Seminário de Meio Termo da CAPES 2025-2028. O grupo ainda elegeu os novos membros da coordenação do FCPSC e definiu etapas para a realização das próximas edições. As atividades movimentaram a Escola Superior de Ciências da Saúde da Universidade do Estado do Amazonas (ESA/UEA), em Manaus (AM), nesta terça-feira (15). Ao todo, 115 pessoas estiveram presentes.

O presidente da Abrasco, Rômulo Paes de Sousa, que esteve presente no Encontro, celebrou a realização do evento como atividade de pré-congresso do 10º Congresso Brasileiro de Ciências Sociais e Humanas em Saúde (10º CSHS), agradeceu a presença dos coordenadores da área de Saúde Coletiva na Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e enfatizou a importância do Fórum como instância estratégica. “O próximo passo é que tenhamos mais oportunidades de capacitação, articulação, integração, aproveitando este momento de crescimento da pós-graduação em Saúde Coletiva. É um esforço de sintonia entre as demandas do país, do planeta e do nosso Sistema Único de Saúde (SUS). Que continuemos nos encontrando neste nível e nessa qualidade”, declarou.

No primeiro momento, durante a manhã, a coordenadora da área de Saúde Coletiva na CAPES, Aylene Bousquat; a coordenadora adjunta de programas acadêmicos, Suely Deslandes; e o coordenador adjunto de programas profissionais, Alberto Novaes Ramos Jr., trouxeram informes referentes ao cadastro de produção acadêmica de discentes e docentes, ao registro de Produtos Técnico-Tecnológicos (PTTs) e ao Seminário de Meio Termo da CAPES 2025-2028. O Seminário está com data prevista para 21 e 22 de outubro de 2027, em Brasília (DF). A atividade é uma reunião intermediária realizada no terceiro ano de cada ciclo da avaliação quadrienal. A partir do encontro dos coordenadores e coordenadoras dos programas de pós-graduação, é construído um balanço parcial sobre o andamento dos trabalhos.

Os coordenadores da CAPES apresentaram, na sequência, um documento orientador para a elaboração de APCN, caso as Instituições de Ensino Superior (IES) submetam novas proposições de cursos de mestrado e doutorado na área de Saúde Coletiva. A APCN, como explicaram os gestores, precisa da anuência da IES, ter aderência ao campo e apresentar consistência e coerência. A coordenadora adjunta de programas acadêmicos, Suely Deslandes, explicou que o painel foi pensado como um espaço de trocas e qualificação. “Uma oportunidade para que essas propostas venham mais qualificadas, não só nos pré-requisitos da CAPES e quesitos normativos, mas, sobretudo, no intuito da inovação, formação de alto nível e atentas às necessidades da área”, registrou.

O período da tarde foi dedicado aos 30 anos do FCPSC e contou com uma mesa-redonda que resgatou a memória, a ação política e os esforços coletivos de construção da área.

Os painelistas foram a professora Aylene Bousquat, que coordenou o Fórum de 2013 a 2016; o professor Ricardo Mattos, que coordenou o Fórum de 2018 a 2021; e o professor Antônio Ferreira Jr., que deixou a coordenação este ano. A vice-presidente da Abrasco, Carmem Leitão, responsável por mediar a conversa, introduziu a atividade rememorando a importância de alguns nomes do campo, como a professora Cecília Minayo, presidente da Abrasco no período de criação do Fórum e primeira coordenadora da área de Saúde Coletiva na CAPES. Carmem Leitão ainda reforçou a relevância política do Fórum. “A importância desse espaço de autonomia que nós constituímos – de diálogo com outros atores, num movimento de uma comunidade epistêmica, com um importante perfil acadêmico e político”, enunciou.

Aylene Bousquat inaugurou o debate da mesa-redonda e trouxe, em sua apresentação, alguns marcos importantes na história do Fórum. A pesquisadora separou a trajetória em cinco períodos: Antecedentes (1978-1995), período de fundação da Abrasco e consolidação do campo; Constituição (1996-1998), quando o Fórum foi instituído em resposta à avaliação independente dos programas de pós-graduação; Fase Modulada pela CAPES (1999-2008), com a dinâmica do Fórum fortemente articulada à representação de área; Protagonismo do Coletivo (2008-2016), quando houve a reorganização institucional; e Ampliação Recente de Agenda (2017-2026), com maior articulação, autoavaliação e iniciativas de impacto, equidade e ações afirmativas.

Para a pesquisadora, o Fórum representa um projeto institucional da Abrasco, um espaço de protagonismo político, solidariedade e construções coletivas. “Um traço nosso é a solidariedade para o fortalecimento da área da Saúde Coletiva. Só conseguimos êxito, em tão pouco tempo, pois somos solidários, coletivos, e, apesar das divergências, trabalhamos em conjunto e temos uma meta relacionada à sociedade”, ressaltou.

O professor Ricardo Mattos iniciou sua apresentação homenageando antigos coordenadores do Fórum, como Maria Lúcia Bosi, Maria Amélia Veras e Marcello Castellanos. Em seguida, o pesquisador elencou importantes contribuições do FCPSC, como o levantamento sobre doutorado profissional e a proposta alternativa ao modelo de avaliação da CAPES, em 2017; debates sobre a defesa do SUS e formação, em 2018; e as articulações e iniciativas para o enfrentamento da pandemia de Covid-19, em 2020 e 2021.

Ao concluir, o pesquisador enfatizou o quão importante é, para o campo, a construção coletiva e plural. “A unidade deve ser construída sob as bases da diversidade. Avaliar também significa disputar os rumos da pós-graduação e a crítica qualificada fortaleceu as instituições. A aposta na solidariedade deve produzir respostas concretas às iniquidades”, afirmou.

Por fim, o professor Antônio Rodrigues Ferreira Jr. fez um apanhado das contribuições do Fórum de 2023 a 2026, com especial destaque para elementos que diferenciam a Saúde Coletiva de outras áreas: um Fórum institucionalizado e um canal direto com a coordenação de área na CAPES.

O pesquisador reforçou ainda que é preciso dar continuidade aos trabalhos. “As questões não estão dadas e precisam ser, reiteradamente, defendidas. Precisamos imaginar, todos os dias, que esse lugar precisa de ocupação, ocupação nossa para gerar reflexão e mudança ao longo do tempo”, encerrou.

Os trabalhos do segundo Encontro Nacional do FCPSC foram concluídos com a eleição dos novos membros da coordenação colegiada. O grupo votou para ampliar a coordenação de quatro para cinco integrantes, contemplando todas as regiões brasileiras. Foram eleitos os professores Mathias Roberto Loch (UEL), representando o Sul; e Priscila Marcheti Fiorin (UFMS), pelo Centro-Oeste. O professor Antônio Rodrigues Ferreira Jr. (UECE) se despediu da coordenação.

A ocasião também foi marcada pelo lançamento do Fórum Regional Norte de Coodenadores e Coordenadoras de Programa de Pós-graduação em Saúde Coletiva. Uma inciativa que representa um passo importante para fortalecer a articulação entre os programas de pós-graduação em Saúde Coletiva da região, como explica o coordenador do FCPSC, André Machado. “É um espaço de cooperação e construção coletiva, que amplia a presença da Amazônia no debate nacional e dá visibilidade aos desafios e às potencialidades de fazer pós-graduação a partir dos nossos territórios”, declarou.

O próximo Encontro Nacional acontecerá nos dias 13 e 14 de maio de 2027, em Natal (RN).

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