O pré-congresso do 10º Congresso Brasileiro de Ciências Sociais e Humanas em Saúde (CSHS) se encerrou nesta quarta-feira (16), em Manaus. Sob o calor típico de Manaus, o minicampus da UFAM ficou cada vez mais cheio e vibrante ao longo do dia, à medida que novos participantes chegavam para as atividades do congresso, que tem sua abertura oficial no fim da tarde.

Ao todo, 1.104 pessoas se credenciaram especificamente para as atividades de pré-congresso ao longo dos dois dias, com apoio de 114 monitores, somando 112 atividades: 56 oficinas, 23 minicursos, 12 reuniões, 11 encontros, 8 fóruns, 1 simpósio e 1 cinedebate. Dentre ações de vários eixos temáticos, o último dia foi marcado por uma sequência de reuniões das instâncias institucionais da Abrasco, comissões, comitês e grupos de trabalho aproveitando a reunião presencial do congresso para avançar pautas represadas ao longo do ano.

A Reunião da Comissão de CSHS (R01) teve como pauta principal a apresentação do 6º Plano Diretor da área para os próprios integrantes da Comissão, antecedendo o lançamento público do documento, previsto para o dia 17. Henrique Saldanha, coordenador da Comissão CSHS da Abrasco, compartilhou com os presentes o link do documento completo e contou o histórico de construção do Plano, que envolveu a comparação com os planos diretores anteriores para atualizar as questões da área, consulta aos membros da Comissão e um processo de priorização das pautas. O resultado desse processo foi um conjunto de 113 ações estratégicas para a execução do Plano Diretor 2026-2029, organizado em seis eixos que vão da identidade epistemológica da área ao financiamento e fomento à pesquisa.

Os membros do GT de Educação Popular e Saúde da Abrasco (R02) se reuniram para planejar a metodologia do encontro presencial do grupo, previsto para os dias 29 e 30 de outubro, em Brasília, quando serão feitas a avaliação trienal das atividades do GT, o planejamento estratégico para o próximo triênio e a definição da nova coordenação. O grupo também fez uma análise da conjuntura eleitoral e definiu estratégias de mobilização do campo da educação popular para a defesa do direito à saúde a partir da participação comunitária e do fortalecimento da Política Nacional de Educação Popular em Saúde no âmbito do SUS, além de discutir formas de dar mais valorização à Tenda Paulo Freire nos eventos da Abrasco. Para César Augusto Paro, integrante do GT, “esse momento foi essencial para compartilharmos nossos desafios e também para sonharmos coletivamente novas estratégias de luta pelo maior reconhecimento da educação popular em saúde no SUS”.

A Reunião do GT de Deficiência e Acessibilidade (R04) reuniu membros e pessoas interessadas em compor o grupo para partilhar expectativas de atuação e retomar um planejamento feito em 2025. Segundo Fernanda Maciel, uma das responsáveis pelo GT, o principal encaminhamento foi agendar novos encontros para reativar as discussões sobre os principais temas em torno da deficiência, já que “precisamos, como coletivo, construir novos consensos”, reconhecendo ao mesmo tempo a heterogeneidade do grupo. O GT seguirá com agenda mensal de encontros remotos, com perspectiva de realizar em breve um ciclo de debates fechados e, depois, abertos à comunidade de pesquisadores, profissionais e pessoas com deficiência.

O Comitê Assessor de Relações Internacionais (Cari) da Abrasco se reuniu (R07) para apresentar as ações recentes da coordenação, entre elas a participação nos debates do Fórum Sul-Americano de Saúde Pública, a atuação junto à Rede Saúde e Clima Brasil, ligada ao Grupo de Trabalho da Amazônia, a colaboração com o minicurso “Descolonizar a Saúde Global: equidade, interculturalidade e soberania sanitária desde o sul global”, a organização da documentação do Comitê para disponibilização no site da Abrasco, e a retomada de atividades sobre saúde global nos congressos da Associação. Para os próximos passos, o Cari discutiu a análise da situação do ensino de saúde global nos cursos de saúde coletiva, a aproximação com os GTs da Abrasco para mapear iniciativas internacionais em andamento, o engajamento com organizações internacionais de interesse da Abrasco e a proposta de representação do Comitê nas comissões científicas dos próximos congressos, para incluir a saúde global e a diplomacia da saúde na programação de eventos futuros.

A Reunião do GT Racismo e Saúde (R08), fechada a convidados, teve como ponto alto as conversas em torno do planejamento para 2027, ano em que o GT completa dez anos de existência. A avaliação é de Winnie Samanu, coordenadora do GT.

A Oficina Manaus do I Plano Diretor da Área de Política, Planejamento e Gestão da Saúde (OF68), conduzida pela Comissão PPGS da Abrasco em parceria com a SGTES/MS e a OPAS, reuniu participantes para revisar os objetivos e as ações estratégicas do Plano, construído desde 2022, e definir uma agenda de trabalho até o VI Congresso Brasileiro de Política, Planejamento e Gestão da Saúde, previsto para novembro de 2027. O Plano está organizado em três eixos, ensino e formação, pesquisa e disseminação do conhecimento, e articulação com a política e a sociedade, com o desafio comum de aproximar formação, pesquisa, gestão e territórios. Para Tatiana Wargas, coordenadora da Comissão de PPGS da Abrasco (IFF/Fiocruz), o resultado só foi possível pela parceria dos representantes institucionais presentes, que assumiram também a responsabilidade de colocar o plano em ação. Ela resume o espírito do Plano Diretor: “por uma saúde plena e pluriversal”.

A Oficina/Reunião do GT Envelhecimento e Saúde Coletiva (OF34) fez um balanço da trajetória do grupo dentro da Abrasco, que vem conquistando espaço nos congressos da Associação desde 2023, quando o envelhecimento populacional se tornou coletivo temático pela primeira vez. O grupo está concluindo o documento “Envelhecimento 2027-2030”, que a Abrasco vai divulgar à sociedade e a políticos visando as eleições de 2030, e relatou que candidatos a cargos eletivos têm procurado pesquisadores da área para se informar sobre saúde e envelhecimento. Para Kenio Lima, coordenador do GT, o tema exige mobilização coletiva, e não apenas medidas pontuais: “o envelhecimento tem que entrar para a agenda pública e política brasileira, porque não tem mais jeito”.

Encerrado o pré-congresso, o 10º CSHS abre oficialmente nesta noite de quarta-feira (16), com a Conferência de Abertura, que recebe a socióloga Angela Mendes. A programação segue até sábado (19).

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