
Chegando ao segundo dia, o 10º CSHS somava 1.917 pessoas credenciadas, que participaram de 27 mesas redondas, um grande debate, uma sessão especial, uma edição da Merenda Intersaberes e uma do Café Intergeracional, além de 32 sessões de comunicação oral e 37 de comunicação oral curta.
Uma das comunicações orais curtas (CO7.1) apresentou um retrato duros sobre envelhecimento na Amazônia, com alto índice de quedas entre idosos em Coari (57,1%, ante a 45,2% no Sudeste) e o desconhecimento da Caderneta Brasileira da Pessoa Idosa por 84,6% dos profissionais de atenção primária em Guajará-Mirim, evidenciando o quanto envelhecer na região é atravessado por desigualdades territoriais e de gênero.
O capacitismo estrutural também ganhou espaço na programação. Na mesa redonda “Tecnologias para a Qualificação da Atenção e Participação de Pessoas com Deficiência no Território a partir da Atenção Básica: Situação e Perspectivas”, Cátia Brito dos Santos, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Stella Maris Nicolau (Unifesp) e Victor Aquino (SES-AM e HUGV/HUBRASIL/UFAM) defenderam a atenção primária como espaço central para o cuidado à pessoa com deficiência no território amazônico. Eles apontaram que o tema só entrou na legislação brasileira em 2023. Na sessão de comunicação oral curta “Deficiências, Acessibilidade e Redes de Cuidado em Saúde no SUS”, outros cinco trabalhos trataram de acessibilidade e da articulação entre as redes do SUS e do Suas.
A formação em Saúde Coletiva também entrou em pauta na mesa redonda “Territórios, Interculturalidades e a Formação na Graduação em Saúde Coletiva: Desafios e Potências das Ciências Sociais e Humanas”, que discutiu a presença ainda limitada desse campo nos currículos de graduação e defendeu que território, interculturalidade, relações étnico-raciais e justiça social ocupem lugar estruturante na formação dos sanitaristas. José Carlos Leal (UFRR) apresentou a experiência do curso de Gestão em Saúde Coletiva Indígena; Keila Silene de Brito e Silva (UFPE) trouxe componentes formativos imersivos em territórios indígenas, quilombolas e do semiárido nordestino; e Mayra Costa Rosa Farias de Lima (UEA), egressa do bacharelado em Saúde Coletiva, relatou uma formação mediada por tecnologia que já formou mais de 500 sanitaristas na Amazônia.
Na Tenda-Maloca Paulo Freire, o dia teve rodas de conversa sobre parteiras tradicionais da Amazônia, saúde das pescadoras e vigilância popular, e lutas pela equidade no SUS, além do lançamento de um dossiê sobre agrotóxicos e saúde reprodutiva e de uma oficina de educação popular em saúde indígena. Na Maloca de Cuidados, o cardápio de cuidados incluiu consulta com especialista indígena Kumu, massagem, auriculoterapia, escalda-pés e liberação miofascial. No intervalo do almoço, houve apresentação musical na Praça de Alimentação.
Às 15h, o Espaço Saúde & Letras recebeu os lançamentos de editoras independentes do dia: “Aborto: Perspectivas que se Entrelaçam”, de Natália Cordeiro Guimarães; “Caderno Sisterhood, Edição Especial: Políticas Afirmativas na Pós-Graduação em Saúde Coletiva”, de Rânder Jorge Alcântara; “Dossiê Comemorativo Saúde e Sociedade 30+”, de Marcelo Eduardo Pfeiffer Castellanos; “Justiça Reprodutiva: Desafios Interseccionais na Saúde Coletiva”, de Elaine Reis Brandão; “Metodologias Ativas de Ensino-Aprendizagem na Saúde: Saberes, Práticas, Técnicas e Tecnologias”, de Liliane Parreira Tannús Gontijo; “Políticas do Sofrimento: Saúde Mental e Subjetivações em Tempos Pandêmicos” e “Yvy Marã En’yn: o Corpo, os Ritos de Morte e a Pandemia de Covid-19”, ambos de Eliana Elisabeth Diehl; “Teoria Crítica da Saúde Digital”, de Naomar de Almeida Filho; “jeum mi’u”, de Inara Nascimento, em formatos físico e digital; “Sobreviver à Pandemia: Mulheres, Cuidado e Margens em São Sebastião”, de Rosamaria Giatti; e o “Guia de Vigilância Popular e Emergências Climáticas”, de Fernando Carneiro.
Neste dia, aconteceu a Sessão Especial “Memória dos 40 Anos da Comissão de CSHS da Abrasco”, relembrando a trajetória da comissão desde sua fundação. À noite, o Grande Debate “Interculturalidade em Movimentos Interseccionais: Territórios, Saberes e Reinvenções da Saúde Coletiva” fechou a programação. Como na véspera, clima e território seguiram como o eixo temático mais recorrente do dia, com 8 mesas redondas, à frente de racismo, gênero e interseccionalidade e de institucionalização e formação em Saúde Coletiva, com 5 mesas cada.




















