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Abrasco fortalece articulação internacional da Saúde Coletiva durante Congresso Mundial de Saúde Pública na África do Sul

Leticia Maçulo

A Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) participou do Congresso Mundial de Saúde Pública, promovido pela Federação Mundial de Associações de Saúde Pública (WFPHA), realizado entre os dias 6 e 9 de setembro, na Cidade do Cabo, África do Sul. O encontro reuniu pesquisadores, profissionais de saúde, gestores, representantes de associações científicas e movimentos sociais de diferentes países para discutir desafios contemporâneos da saúde pública e fortalecer a cooperação internacional.

A participação brasileira teve presença em sessões científicas, mesas de debate e atividades dedicadas à organização dos sistemas de saúde, à determinação social da saúde, à inteligência artificial e à cooperação em ciência e tecnologia. A delegação reuniu representantes de instituições acadêmicas, científicas e de serviços de saúde, contribuindo para o intercâmbio de experiências e conhecimentos com diferentes países.

Para Marília Louvison, coordenadora da Comissão de PPGS da Abrasco, o congresso representou uma oportunidade de aproximar o campo da Saúde Coletiva brasileira do movimento sanitário internacional, especialmente em torno da defesa dos sistemas universais de saúde e da garantia do direito à saúde.

“O Congresso Mundial de Saúde Pública da WFPHA foi de grande importância para articular o campo da Saúde Coletiva brasileira ao movimento sanitário internacional, na defesa dos sistemas universais e no enfrentamento dos desafios para a garantia do direito à saúde”, destacou. Segundo Louvison, a delegação brasileira também contribuiu para os debates e para o compartilhamento da produção científica nas áreas de Epidemiologia, Ciências Sociais e Humanas em Saúde e Política, Planejamento e Gestão.

O SUS e a Saúde Coletiva brasileira no debate internacional

A experiência brasileira de construção do Sistema Único de Saúde (SUS) esteve presente em diferentes momentos da programação, especialmente nos debates sobre democracia, participação social, desigualdades e organização dos sistemas nacionais de saúde.

O presidente da Abrasco, Rômulo Paes de Sousa, destacou que o congresso possibilitou estabelecer diálogos entre a experiência brasileira e as iniciativas desenvolvidas por outros países, particularmente aqueles que integram o BRICS. “A participação da Abrasco no Congresso da Federação das Associações de Saúde Pública foi marcada por um certo cotejamento entre o que nós estamos realizando no Brasil e o que outros países, sobretudo os países ligados aos BRICS, no seu formato original, estão realizando”, afirmou.

Segundo Rômulo, a trajetória brasileira desperta interesse internacional por reunir a construção de um sistema universal de saúde, o processo de redemocratização e a constituição da Saúde Coletiva como campo de conhecimento. Nesse percurso, a participação social ocupa lugar central, ao reconhecer que as experiências e reflexões da população usuária contribuem para o aprimoramento do SUS.

O presidente também ressaltou que os debates permitiram apresentar internacionalmente os processos recentes de recomposição do SUS, após os desafios enfrentados durante a pandemia de Covid-19, assim como iniciativas voltadas ao enfrentamento de problemas estruturais do sistema.

Entre as contribuições brasileiras às sessões principais, estiveram discussões conduzidas por Rômulo Paes de Sousa sobre determinação social da saúde, desigualdades e enfrentamento à fome. A professora Sonia Fleury abordou as relações entre o direito à saúde, a democracia e a experiência brasileira do SUS. Outros representantes da Saúde Coletiva participaram de debates sobre atenção primária, organização dos sistemas de saúde e cooperação internacional.

Saúde digital, soberania tecnológica e cooperação científica

A saúde digital também ocupou espaço na programação do congresso, com discussões sobre inteligência artificial, tecnologias aplicadas à assistência e à epidemiologia, desinformação e impactos das plataformas digitais sobre a saúde.

Marcelo Fornazin destacou a diversidade de abordagens e a participação brasileira nesses debates, especialmente nas discussões sobre estratégias de saúde digital no Sul Global.

Fornazin participou de uma mesa proposta a partir da Fiocruz e da Abrasco, que reuniu experiências do Brasil, da China e de Moçambique. A atividade discutiu diferentes estratégias nacionais de saúde digital, questões regulatórias e os desafios de desenvolver tecnologias comprometidas com os princípios dos sistemas universais de saúde.

“Foi um debate muito interessante para conhecer as iniciativas brasileira, chinesa e moçambicana, discutir questões regulatórias, como assegurar a soberania e pensar modelos tecnológicos que fortaleçam a universalidade e enfrentem as desigualdades”, relatou.

Para o pesquisador, o encontro também evidenciou a importância de discutir as tecnologias digitais a partir das necessidades dos sistemas públicos de saúde, considerando seus efeitos sobre a equidade, o acesso e a organização da atenção.

A programação contou ainda com debates sobre produção de vacinas e medicamentos, desenvolvimento tecnológico e parcerias internacionais, com participação de representantes brasileiros.

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