POSICIONAMENTO ABRASCO 

Nota de posicionamento: saída da Argentina da OMS

Comunicação Abrasco

[ES] Nota de posicionamiento disponible también en español (PDF)

A Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) adere, junto a outras entidades, à declaração da Associação Argentina de Saúde Pública (AASAP), divulgada no dia 18 de março, e expressa seu apoio, destacando que a cooperação internacional constitui uma ferramenta-chave para a proteção da saúde das populações. A Abrasco reconhece que a defesa do direito à saúde nos contextos atuais requer instâncias supranacionais de cooperação, articulação e produção coletiva de conhecimento que permitam enfrentar desafios comuns a partir da solidariedade e da interdependência. 

Nesse sentido, ressalta que o enfraquecimento desses espaços não apenas limita as capacidades de resposta dos Estados, como também impacta diretamente nas condições de vida e de saúde das populações, especialmente daquelas em situação de maior vulnerabilidade.

Posicionamento da AASAP:

AASAP expressa preocupação e rejeição à saída da Argentina da OMS

A Associação Argentina de Saúde Pública (AASAP) manifesta sua profunda preocupação e repúdio veemente à concretização, em 17 de março de 2026, da desvinculação formal do país da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Essa decisão, que se torna efetiva após o cumprimento do prazo de um ano desde sua notificação oficial, constitui um grave retrocesso no âmbito da cooperação internacional e expõe a Argentina a uma situação de maior fragilidade diante dos desafios sanitários globais.
Como já havíamos advertido oportunamente, a saída da OMS implica a perda de acesso oportuno a alertas epidemiológicos e a marcos de resposta coordenada diante de emergências, enfraquecendo a capacidade do país de antecipar e gerenciar riscos sanitários. Além disso, limita a participação em mecanismos de negociação conjunta e em programas de provisão equitativa, com o consequente aumento de custos de insumos críticos, como medicamentos e vacinas.

A isso se soma a exclusão de redes de cooperação científica e de formação técnica, que são fundamentais para o desenvolvimento e o aprimoramento contínuo das políticas públicas de saúde. Esse impacto não será homogêneo: afetará com maior intensidade as províncias e territórios mais vulnerabilizados, aprofundando desigualdades preexistentes no acesso à saúde, na vigilância epidemiológica e no fortalecimento de estratégias comunitárias.

A decisão que hoje se concretiza não amplia a soberania sanitária: ela a enfraquece. Isola o país em um contexto em que a interdependência é condição necessária para proteger a saúde das populações.

A responsabilidade constitucional do Estado de garantir o direito à saúde exige fortalecer — e não enfraquecer — os laços de cooperação internacional. Em um cenário global atravessado por crises sanitárias, climáticas e sociais, retroceder nesses espaços significa deixar nossa população mais exposta e com menos instrumentos para enfrentar os desafios do presente e do futuro.


Rio de Janeiro, Brasil, 25 de março de 2026

Associação Brasileira de Saúde Coletiva – Abrasco 

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