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“Onde a tradição encontra a ciência” | 3º SIBSA teve Roda de Saberes com 176 trabalhos em formato construído com movimentos sociais

As Rodas de Saberes do 3º Simpósio Brasileiro de Saúde e Ambiente são como as Rodas de Apresentação de Trabalhos de outros eventos acadêmicos da Abrasco. Esse momento reuniu, na tarde da quinta-feira (28/5), 176 trabalhos distribuídos em 15 salas temáticas no campus da UFMT. O formato, construído junto com movimentos sociais desde o início do processo de organização do Simpósio, foi pensado para que pesquisa científica, relato de experiência e outras linguagens ocupassem o mesmo espaço e pudesse realmente dialogar.

Karen Friedrich, presidenta do 3º SIBSA, destacou que a diferença desta edição em relação às anteriores está justamente no modo como os movimentos participaram da construção. “No 2º SIBSA a gente teve a participação desses movimentos. Nesse aqui, a gente pensou o SIBSA com os movimentos. A gente pensou os eixos com o movimento, pensou como seriam os trabalhos com o movimento. Uma coisa é o pesquisador que tem seu estudo dentro da salinha. Outra coisa é você ter esse tema urgente do que o território quer, do que o território precisa e das experiências que o território tem. São experiências riquíssimas — as denúncias que passam e também os anúncios de experiências que a gente nem imagina que um território tem”, disse.

O presidente da Abrasco, Rômulo Paes de Sousa, situou as Rodas de Saberes como expressão de uma mudança mais ampla na própria trajetória da associação. “A Abrasco está se ampliando para um conjunto muito maior, mais abrangente das várias áreas onde essa luta acontece. Nossa linguagem é diferente, nossa gramática é diferente. Este encontro diz que estamos no presente onde a tradição encontra a ciência, onde a luta política encontra a academia. Este é o melhor resultado”, afirmou.

Dos trabalhos apresentados, 98 foram relatos de pesquisa, 62 relatos de experiência, 14 produções técnicas e 2 produções artísticas. A proporção revela uma das apostas centrais do 3º SIBSA: mais de um terço do que foi apresentado nas Rodas veio de fora do formato acadêmico convencional. 

Para Cheila Bedor, integrante da comissão científica do Simpósio e responsável pela organização das rodas, o resultado reflete uma escolha metodológica que começou bem antes do evento. “A gente também tinha pessoas dos territórios e de movimentos no coletivo científico, e isso trouxe uma modificação de como a gente pensou em fazer isso”, disse. A separação dos trabalhos por eixos temáticos foi substituída por uma organização por temas, porque os eixos tinham muita interface entre si. O resultado foram 15 espaços mesclando linguagens, origens e formatos dos trabalhos. “Cada sala ficou muito colorida”, resumiu.

A mediação também foi desenhada para refletir essa mistura. Cada sala contou com dois mediadores: um acadêmico e um representante de território, movimento social ou linguagem artística. “As discussões foram muito ricas. Não é só o trabalho apresentado, mas toda a discussão que acontece naquela sala sobre o tema”, avaliou Cheila a partir do retorno dos relatores.


Os temas das 15 salas

As Rodas de Saberes foram organizadas em torno de 15 eixos temáticos que cobriram desde questões estruturais do colapso ecológico até experiências concretas de resistência nos territórios. As salas debateram agronegócio, agrotóxicos e injustiças socioambientais; água como direito e segurança hídrica; crise climática e vulnerabilizações; soberania alimentar; saúde mental e desastres socioambientais; saberes, direitos e resistências de povos tradicionais, indígenas e quilombolas; trabalho e precarização; atenção primária e redes de cuidado; poluição e contaminações; vigilância popular em saúde; envelhecimento e ambiente urbano; educação crítica e comunicação popular; doenças infecciosas e vigilância; e determinação socioambiental e bem viver. Uma das salas foi dedicada inteiramente a outras linguagens, com mostra audiovisual em homenagem ao cineasta Silvio Tendler (também homenageado na Grande Roda, leia também).

O 3º SIBSA encerrou suas atividades em 29 de maio, com Grandes Rodas, Rodas Temáticas, atividades culturais e programação nas Tendas Rachel Carson, Paulo Freire e Práticas Integrativas. A programação completa está disponível em sibsa.org.br.


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