
A Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável lançou o Referencial Conceitual: Transição Justa e Popular dos Sistemas Alimentares, documento que reúne bases para orientar pesquisas, debates, políticas públicas e ações da sociedade civil voltadas à transformação dos sistemas alimentares no Brasil. A publicação aproxima as agendas de alimentação, saúde e clima e parte do reconhecimento de que enfrentar as crises ambiental e climática exige também enfrentar desigualdades sociais, econômicas e territoriais e as relações de poder que estruturam os sistemas alimentares.
Mais do que estabelecer uma definição, o Referencial é resultado de um processo de construção coletiva e de reflexão sobre quais caminhos, sujeitos e prioridades devem orientar essa transformação. Inês Rugani, integrante do Comitê Gestor do GT Alimentação e Nutrição em Saúde Coletiva da Abrasco e uma das coordenadoras da publicação, destaca que a elaboração do documento também permitiu amadurecer e organizar uma agenda de atuação. “Elaborar esse documento trouxe para a gente um processo coletivo de reflexão muito interessante, que dá elementos para orientar a nossa incidência em relação à transformação dos sistemas alimentares”, afirma. Para ela, o processo contribuiu para organizar as ideias sobre “onde a gente foca e o que a gente prioriza numa agenda da transição justa”.
O documento define a transição justa e popular dos sistemas alimentares como um processo político, técnico, relacional e multidimensional de transformação das formas de produção, distribuição, acesso, consumo e descarte de alimentos. A proposta é orientada pelo Direito Humano à Alimentação Adequada, pela soberania alimentar e pelas justiças social, ambiental, econômica e climática. A escolha do termo “popular” explicita uma dimensão central dessa perspectiva: não se trata apenas de ampliar a participação, mas de enfrentar assimetrias de poder e fortalecer o protagonismo, a autonomia e a capacidade de decisão de povos, comunidades e territórios historicamente marginalizados.


