
A Comissão de Política, Planejamento e Gestão em Saúde da Abrasco realizou em Brasília uma reunião ampliada com representantes da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES) do Ministério da Saúde, reunindo equipes do Departamento de Gestão da Educação na Saúde (DEGES) e do Departamento de Gestão e da Regulação do Trabalho em Saúde (DEGETS). O encontro foi o único da série de disseminação do 1º Plano Diretor da Área de PPGS da Abrasco realizado com o governo federal e marcou um momento de retorno e aprofundamento do diálogo que originou o próprio plano. “Foi muito importante como um retorno ao Ministério da Saúde, àquilo que a gente construiu lá no início como uma proposta de construção de um plano”, afirma Tatiana Wargas, coordenadora da Comissão de PPGS da Abrasco.
A reunião apresentou o Plano Diretor como instrumento articulador entre formação, pesquisa, trabalho e gestão, orientado pelas necessidades contemporâneas do SUS. Os representantes do Ministério apresentaram iniciativas em andamento e identificaram possibilidades concretas de articulação com a agenda da Abrasco em formação de gestores, residências em saúde, programas de integração ensino-serviço-comunidade, valorização da preceptoria, fortalecimento da pós-graduação, equidade, justiça climática e qualificação da gestão do trabalho.
Um dos eixos centrais do debate foi o planejamento e o dimensionamento da força de trabalho em saúde, identificado como lacuna crítica. Os participantes reconheceram a ausência de metodologias adequadas, de ferramentas de apoio à decisão regional e de dados qualificados sobre inserção profissional e valorização dos trabalhadores. Também foram discutidas a regulamentação da profissão de sanitarista e a necessidade de harmonizar as nomenclaturas das especializações e residências em Saúde Coletiva.
Outro tema central foi a necessidade de aproximar a produção científica das demandas concretas da gestão e da sociedade. Os participantes reconheceram que parte significativa da produção acadêmica ainda permanece distante das necessidades cotidianas do SUS. A reunião defendeu o fortalecimento de mecanismos de tradução do conhecimento para gestores e população e maior diálogo entre academia, governos e movimentos sociais.
Ao final, foram identificadas oito agendas prioritárias para atuação conjunta entre Abrasco, Ministério da Saúde e instituições parceiras: fortalecimento da capacidade do SUS para emergências sanitárias e climáticas; regulamentação e qualificação da formação em Saúde Coletiva em todos os níveis; valorização da preceptoria e ampliação dos campos de prática; desenvolvimento de metodologias para planejamento da força de trabalho; fortalecimento das redes de pesquisa, ensino e gestão do trabalho; monitoramento e avaliação das iniciativas em curso; ampliação das cooperações nacionais e internacionais; e promoção do diálogo permanente entre academia, gestores, trabalhadores e movimentos sociais.
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