
A abrasquiana Rita Barradas foi a primeira pesquisadora da Saúde Coletiva a ser reconhecida pelo Prêmio Anísio Teixeira da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) na categoria Educação Superior. Na última sexta-feira, 8 de maio, foi anunciada a lista de agraciados de 2026 da condecoração, que é uma das mais importantes de Educação do país. Oferecido desde 1981, a cada 5 anos, pela fundação do Ministério da Educação (MEC), o Prêmio reconhece personalidades brasileiras por sua contribuição para a Educação Superior. Em 2012, a Educação Básica passou também a ser uma categoria da premiação.
“Eu estou muito feliz. Ainda mais sendo o Prêmio Anísio Teixeira, uma figura ímpar na Educação Superior, como idealizador da pós-graduação brasileira, comprometido com a qualidade da formação de profissionais e professores no país”, celebrou Rita Barradas. “Fui indicada por meus colegas e estou sendo reconhecida pela minha contribuição como docente, mas também como alguém que influenciou a pós-graduação em Saúde Coletiva e sua articulação como campo independente de pesquisa e ensino”, afirmou.
Rita de Cássia Barradas Barata é médica, com mestrado e doutorado em Medicina Preventiva pela Universidade de São Paulo. Associada e ex-presidente da Abrasco (1997-2000) atualmente é professora adjunta e livre docente da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP). Ela tem uma atuação de mais de 50 anos na formação, na pesquisa, mas também na articulação política e institucional da Saúde Coletiva junto à Capes/ MEC, tendo ocupado cargos em diversos conselhos e na Barradas em Jaboatão dos Guararapes (PE).Direção de Avaliação da instituição. Chegou a ser eleita representante regional da América Latina e Caribe na International Epidemiological Association (IEA). Atuou como editora científica da Revista de Saúde Pública (USP) e dá nome ao Centro de Parto Normal Rita
“Minha história com a Saúde Coletiva é desde o seu início e minha contribuição com a Capes é mais longa do que o meu Lattes conta”, ri a pesquisadora em entrevista à Abrasco. “Integrei as conversas com Maria Andrea Loyola sobre a necessidade de separar o nosso campo da Medicina, reconhecendo nossas diferenças… Estive na criação da Abrasco. Enfim, a estrada é muito longa”, relembra Rita.
Ela reconhece que sua formação, desde o Grêmio Estudantil, sempre foi como estudiosa e líder articuladora, com respeito à diversidade de perspectivas. “Meus pais tinham visões políticas muito diversas e eu fui criada vendo que era possível haver respeito mesmo com a divergência. Isso me formou e me destacou em instâncias de deliberação política desde muito nova”, avalia Barradas sobre a sua trajetória.
“Sempre atuei na docência e formação profissional, na pesquisa acadêmica em Epidemiologia, no trabalho editorial e na Ciência e Tecnologia. Até hoje sou professora da graduação e da pós, além de seguir participando de comissões e conselhos editoriais”, resume Rita Barradas. Ela comemora mais um reconhecimento do campo e hoje se vê contribuindo para a História, mas também para a investigação dos limites éticos da pesquisa em tempos de Inteligência Artificial. “Tenho estudado o tema porque entendo que para pensar em formação hoje, precisamos olhar para o que estamos lendo e publicando”.
Em anos anteriores o Prêmio Anísio Teixeira prestigiou cinco pessoas pela atuação na Educação Básica e cinco na Educação Superior. Em 2026, para celebrar os 75 anos da Capes/MEC, 10 pesquisadoras de cada uma das categorias receberão a honraria na cerimônia que acontecerá em julho.
“Ao homenagearmos esses 20 cientistas, reconhecemos trajetórias de excelência que fortalecem nossa soberania científica e pedagógica. É uma honra destacar nomes que personificam os ideais democráticos e inovadores de Anísio Teixeira”, afirmou a presidente da CAPES Denise Pires de Carvalho para o portal de notícias da instituição.
Foto: Roan Nascimento I Abrasco (12° EPI – Rio de Janeiro, 2024)
Fonte: Diário Oficial da União


